Rações para Suínos: Análise dos ingredientes – parte 1

Qualidade dos subprodutos de origem animal

Os coprodutos de origem animal são ingredientes de difícil padronização de sua composição química devido as características de sua cadeia de produção, por isso, o monitoramento de seus níveis nutricionais necessita de uma atenção redobrada. Os riscos – em relação à contaminação bacteriana – são altos, sendo crucial trabalhar com fornecedores que tenham ações efetivas sobre a garantia de qualidade sanitária de seus produtos.

São produtos de grande interesse devido a sua composição em proteína, energia, cálcio e fósforo, sendo a Farinha de Carne e Ossos e Farinha de Vísceras os coprodutos de origem animal mais utilizados nas rações de suínos. Além disso, possuem vantagem do ponto de vista econômico sendo, portanto, utilizados estrategicamente na substituição de outros ingredientes, como farelo de soja e fosfato bicálcico.

O valor de proteína bruta das farinhas de carne e de vísceras varia amplamente, devido aos tipos de ingredientes utilizados na fabricação, como: resíduos de carcaças, partes cárneas (vísceras), tecido gorduroso, sangue ou resíduos de desossa. Dessa forma, estimar os níveis de aminoácidos em função da proteína total é algo impreciso.

Foto 1: Análise de Microscopia em Farinha de Vísceras: Imagem obtida com câmera fotográfica e imagem obtida por Microscópio Estereoscópio, com aumento de 10 vezes.

A composição de aminoácidos sofre alterações significativas em função das proporções distintas dos diversos tecidos proteicos em cada lote produzido e para o suíno apresentar um bom desempenho zootécnico, a qualidade da proteína fornecida a ele é essencial. Não é desejável, por exemplo, a presença de raspas de cascos e chifres, couro ou pelos, por piorarem significativamente a digestibilidade da proteína bruta.

A matéria mineral também está atrelada a diversidade dos ingredientes utilizados, sendo inversamente proporcional a proteína bruta. A proporção de ossos na mistura, por exemplo, pode gerar diferentes tipos de farinha de carne e os níveis de cálcio e fósforo, que apresentarem uma relação maior que 2,4:1, indicam alteração no produto. São ingredientes com boa biodisponibilidade, por isso, recomenda-se a análise de microscopia, a fim de identificar possíveis alterações.

Foto 2: Análise de Microscopia em Farinha de Carne: Imagem obtida com câmera fotográfica e imagem obtida por Microscópio Estereoscópio, com aumento de 10 vezes.

A quantidade de extrato etéreo também tem grande oscilação devido à forma como é feita a separação da gordura dos resíduos do abatedouro, podendo variar expressivamente entre fornecedores. Já a qualidade das gorduras das farinhas de origem animal deve ser monitorada por meio de acidez e índice de peróxidos, uma vez que estas análises conseguem indicar o início de um processo de degradação de compostos nutricionais bem como a formação de substâncias tóxicas.

Vale lembrar que estes processos levam à rancificação das farinhas e não podem ser revertidos. Quando a análise de rancidez for POSITIVA, o uso das farinhas não é recomendado, pois a qualidade estará totalmente comprometida e suas características organolépticas inibirão o consumo da ração pelo animal, prejudicando diretamente seu desempenho produtivo.

O quesito primordial na produção de farinhas de boa qualidade, é a utilização de resíduos frescos, que não estejam em estágio de deterioração. Portanto, a incorporação de antioxidantes no produto final visa garantir a preservação da qualidade da gordura, aumentando o prazo de armazenamento das farinhas.

Outro fator importante é a umidade, que deve ser monitorada por estar ligada diretamente a manutenção da qualidade do produto. O alto nível de umidade (acima de 8%) é um fator predisponente a oxidação, que potencializa o aumento da acidez e compromete o valor energético das farinhas. Isso ocorre devido a presença de ácidos graxos livres, liberados por meio da ação de enzimas lipolíticas, o que caracteriza a contaminação microbiana.

Nutrição Animal - Agroceres Multimix

Por outro lado, valores de umidade demasiadamente baixos (abaixo de 2,5%), geralmente estão relacionados a excesso de processamento e, nestes casos, a análise de microscopia pode auxilia na verificação da presença de partículas queimadas, indicando a carbonização da matéria orgânica. Tal situação provoca a redução da disponibilidade dos nutrientes para os animais, além de influenciar negativamente a palatabilidade do produto.

Outros produtos de origem animal utilizados, são: a Farinha de Sangue e a Farinha de Plasma. Esses produtos têm apelo ecológico, uma vez que o tratamento de efluentes do processo de abate é de alto custo.

A Farinha de Sangue possuí alto valor proteico e sua fabricação é realizada através do sangue coletado em abatedouros, que deve ser fresco e livre de contaminantes (ex. penas, peloas, vísceras, etc.). Segue então para um processo de cozimento e secagem, que precisa respeitar o tempo ideal de permanência em altas temperaturas, pois a desidratação em excesso afeta a digestibilidade da proteína, principalmente da lisina.

Recomenda-se ainda: análises de proteína bruta (mínimo 80%), de digestibilidade protéica (mínimo 80%, em Pepsina 0,002%), umidade (máximo 8%) e verificação da presença de Salmonela, uma vez que o produto deve ser manipulado em adequadas condições sanitárias. Vale lembrar que a farinha de sangue pode apresentar problemas de aceitação da ração pelos suínos, por isso não deve ser utilizada em altas inclusões na fórmula.

Um subproduto de origem animal, considerado nobre do ponto de vista nutricional é a Farinha de Plasma. Ela é produzida a partir da centrifugação do sangue para separação de plaquetas, leucócitos e hemácias; em seguida passa por um processo de secagem. Este processo, denominado “Spray dryer”, contribui para melhorar a padronização deste subproduto, além de propiciar maior rigor nas etapas de colheita e armazenagem do sangue.

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Utilizada amplamente em formulações da fase de creche, a farinha de plasma apresenta excelente biodisponibilidade de globulinas, auxiliando na modulação do sistema imune dos leitões. Como rotina, devem ser realizadas as análises de proteína bruta, e umidade.

Quando houver processamento térmico na fabricação de um ingrediente (temperatura, pressão e tempo de atuação destes dois fatores), deve-se avaliar sua digestibilidade proteica, uma vez que não há padronização dos processos entre os diversos fornecedores. No caso do plasma, recomenda-se uma digestibilidade mínima de 90% na concentração de 0,002% de pepsina.

É importante destacar que as análises das matérias primas é uma atividade constante e estratégica em qualquer fábrica de ração. É pertinente trabalhar com fornecedores que tenham padronização de seus processos de fabricação, para assim, ter-se a menor variação possível das características dos ingredientes. Em caso de oportunidades de utilização de alimentos alternativos, na busca de redução de custos, é imprescindível obter-se o máximo de informações sobre valor nutricional, seus fatores anti-nutricionais e de qualidade.

Agroceres Multimix. Muito Mais Que Nutrição.

Diana Rosana Vivian

Diana Rosana Vivian

Diana é nutricionista de suínos na Agroceres Multimix

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4 Comentários

  1. RAUL AGUIAR disse:

    Estou iniciando uma criação de porcos, são cinco matrizes e um reprodutor. Tenho uma produção de milho na propriedade, que transformo em farelo de milho, quais outros ingredientes que devo adicionar ao milho para ter uma boa ração, tanto para os animais adultos como para os leitões? Preciso ter o máximo de milho na mistura para manter os custos mais baixos.

    • Olá Raul, obrigada pela sua pergunta!
      Uma boa ração é formulada com vários ingredientes, com o objetivo de atender a exigência de nutrientes do suíno, como energia, proteína, aminoácidos, vitaminas e minerais. Esta exigência muda de acordo com a fase de produção que o animal se encontra.
      Pode-se trabalhar basicamente com milho, farelo de soja, concentrados e núcleos.
      Após o desmame (fase de Creche), os leitões estão adaptando seu sistema digestivo a alimentação sólida, e devemos fornecer à eles ingredientes altamente digestíveis e palatáveis, para estimular o consumo (que são fornecidos via produto chamado Concentrado). Na fase de Creche, o custo das rações é o mais alto em comparação as outras fases de criação. Uma boa adaptação é fundamental para que ele se desenvolva com saúde e tenha um bom desempenho. Conforme o animal vai crescendo, a composição da ração muda, e vai aumentando a proporção de milho na fórmula, utilizando-se Núcleos como fontes de minerais e vitaminas.
      Para os animais de Reprodução, é importante fornecer ração balanceada em quantidades certas para os animais não engordarem (fase de preparação para a Gestação e Gestação), e terem uma boa produção de leite (fase de Lactação).
      Além disso, é necessário estar atento também a granulometria das rações (tamanho das partículas), pois também varia conforme a categoria animal, ou seja, o milho deve ser moído mais fino para as fases de creche, e mais grosso para as fases de Reprodução.
      A Agroceres Multimix tem produtos específicos para cada fase de criação. Se maiores informações, entre em contato com um consultor da Agroceres Multimix, através da página “Solicite um Consultor Técnico”. Podemos te ajudar, como fornecedora de soluções que estejam alinhadas com seus objetivos na sua suinocultura. Abraço!

  2. João Salamir disse:

    Gostei da matéria sobre farinha de sangue. Entretanto, gostaria de saber se posso colocar diretamente no cocho o sangue cozido e se dessa forma possue ainda proteinas…e etc.

    • Olá, João!

      Respondendo à pergunta: sim, ainda possuem proteínas. No entanto, o processo de cozimento do sangue deve ser padronizado.
      O ingrediente quando submetido a cozimento acima de 100°C, por um período prolongado, pode perder a qualidade nutricional das proteínas, tornando-as indisponíveis para os animais. Ou seja, a temperatura e tempo de cozimento afetam diretamente a absorção da proteína. Uma análise de digestibilidade daria a informação sobre a quantidade de proteína disponível no sangue cozido e indicaria a necessidade de ajustes nesse processo.
      Nosso laboratório de controle de qualidade realiza essa análise. Se houver interesse, entre em contato com um consultor da Agroceres Multimix, através da página “Solicite um Consultor Técnico” (http://www.agroceresmultimix.com.br/consultor-tecnico.aspx).
      Agradeço sua pergunta, João.

      Abraço!

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