Colostro: quanto mais, melhor!

Colostro

Vamos falar de colostro. A alimentação e o manejo adotado na criação de bezerras leiteiras refletem diretamente, não apenas na sua sobrevivência, mas, sobretudo, na sua produção de leite futura. Recentes estudos têm mostrado uma relação positiva entre consumo inicial de nutrientes e ganho de peso durante os primeiros meses de vida e até mesmo na produção de leite durante a primeira lactação.
Além disso, o fato de animais em crescimento não serem produtivos – representando o segundo maior custo de uma fazenda – tem levado produtores a acelerar as taxas de ganho de peso, com o objetivo de colocar o animal em produção o mais rápido possível.
De todos os cuidados com a recém-nascida, uma atenção especial deve ser dada ao fornecimento de colostro. Embora a importância da colostragem seja conhecida há quase um século, ainda é uma prática bastante negligenciada em diversos sistemas de produção, sendo a causa mais comum de problemas de saúde e baixo desempenho de bezerras durante as primeiras semanas de vida.

Colostro - Nutrição Animal - Agroceres Multimix

O colostro é a secreção da glândula mamária da vaca, que acontece durante as primeiras 24 horas após o parto e apresenta algumas diferenças importantes em relação à composição do leite, principalmente propriedades físicas e funções fisiológicas. As altas concentrações de imunoglobulinas (anticorpos presentes no colostro) têm papel importante no estabelecimento de imunidade passiva das bezerras recém-nascidas. Por imunidade passiva compreende-se: a transferência de imunoglobulinas (anticorpos) da mãe para a bezerra através do consumo de colostro.

O inadequado fornecimento ou manejo pode causar significativo aumento nas taxas de mortalidade e morbidade nos animais. As maiores falhas estão relacionadas à quantidade, qualidade e horário de fornecimento à recém-nascida.

Para se garantir uma adequada transferência de imunidade, o colostro de alta qualidade deve ser fornecido logo após o nascimento ou o mais rápido possível, uma vez que a absorção de imunoglobulinas é reduzida com o passar do tempo.

Isso porque, a partir de 24 horas após o nascimento, a bezerra perde a capacidade de absorver as imunoglobulinas (anticorpos) que serão responsáveis pela defesa do organismo contra doenças durante as primeiras semanas de vida.  Conforme o tempo passa, a capacidade de absorver as imunoglobulinas diminui e, após 36 horas de vida, a eficiência de absorção diminui para aproximadamente 7%. Estudos mostram que quando o colostro é fornecido durante as primeiras 6 horas após o nascimento, cerca de 66% das imunoglobulinas são absorvidas, garantindo uma bezerra saudável durante o período de aleitamento.

A recomendação tradicional tem sido: o fornecimento de 2 litros nas primeiras horas de vida, seguida de mais 2 litros dentro das 12 horas seguintes. Entretanto, bezerras recebendo 2 litros ou menos de colostro podem não consumir a quantidade adequada de imunoglobulinas (anticorpos) se o colostro não for de boa qualidade ou não for fornecido logo após o nascimento. Por isso, a orientação mais correta é o fornecimento de colostro em relação ao peso ao nascer da bezerra. Geralmente, para sucesso na colostragem, a bezerra deve consumir pelo menos 5% do seu peso ao nascer a cada refeição, o que na maioria dos rebanhos corresponde aos 2 ou 3 litros comumente recomendados.

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O colostro coletado da primeira ordenha de vacas recém paridas, que não foi utilizado para o fornecimento, pode ser armazenado para posterior utilização. É o chamado “banco de colostro”, em que o colostro de qualidade é congelado em garrafas ou em sacos plásticos, em porções de 1 ou 2 litros. Um fator importante e que deve ser lembrado no momento de armazenar é: o material deve ser de qualidade, com alta concentração de imunoglobulinas, preferencialmente de vacas multíparas, sem a presença de sangue ou mastite.

A correta utilização do banco de colostro – principalmente em relação ao descongelamento – é essencial para evitar alterações na qualidade. Por isso, o descongelamento deve ser realizado lentamente em água morna (banho-maria). O tempo para o descongelamento varia de acordo com o recipiente em que foi armazenado. Por isso, recomenda-se a utilização de sacos plásticos, que facilitam o descongelamento por apresentarem maior superfície de contato e acelerarem o processo, garantindo o consumo pela bezerra nas primeiras horas de vida.

Lembre-se: o consumo de colostro é essencial garantir a sobrevivência e desempenho da bezerra durante as primeiras semanas e por toda a vida produtiva. Por isso, a adoção de todas essas recomendações para o período de colostragem garante sucesso e tranquilidade durante a fase de aleitamento.

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 – Providenciar área limpa, com boa ventilação, seca e localizada estrategicamente para servir de piquete ou baia maternidade;
– Retirar colostro do banco de colostro nos primeiros sinais de parição;
– Após o parto, separe o bezerro de sua mãe o mais cedo possível;
– Ordenhar a vaca, separando 2 litros para a bezerra e armazenando o colostro excedente em refeições de 1 ou 2 litros (congelado por até um ano). Descongele cuidadosamente para que os anticorpos sejam preservados;
– Fornecer pelo menos 2 litros de colostro na primeira alimentação e mais 2 litros em até 12 horas depois. Fornecer 3 litros na primeira alimentação, caso a qualidade não seja conhecida ou o colostro seja de novilha;
Fornecer a primeira alimentação com colostro dentro de 3-6h após o nascimento;
– Fornecer colostro durante os 2 a 3 primeiros dias de vida da bezerra.

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Lucas Silveira Ferreira

Lucas Silveira Ferreira

Lucas Silveira Ferreira é Gestor Técnico de Bovinos na Agroceres Multimix

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