Como maximizar o desempenho produtivo em vacas leiteiras

Desempenho produtivo como maximizar em vacas leiteiras

Diante do intenso melhoramento genético em bovinos leiteiros nos últimos anos, o consumo de energia tornou-se um fator limitante para a produção de leite, pois esses animais têm grande demanda energética, excedendo – em muitas ocasiões – a capacidade de consumir energia da dieta, o que pode resultar em redução do desempenho produtivo, reprodutivo e a saúde dos animais.

A utilização de fontes de gordura (lipídeos) nas dietas de vacas leiteiras pode ser feita em todas as fases do ciclo produtivo, por aumentar a densidade energética da dieta, proporcionar efeitos nutracêuticos, assim como reduzir o incremento calórico, fator especialmente importante em épocas de maiores temperaturas, que os animais estão pré-dispostos ao estresse calórico.

Gorduras são utilizadas na alimentação de ruminantes como fonte de energia, pois apresentam até 2,5 vezes mais energia que CHO e proteínas, e também por aumentar a capacidade de absorção de vitaminas lipossolúveis, fornecer ácidos graxos essenciais importantes na composição de membranas de tecidos e, principalmente, atuar como precursores para a regulação do metabolismo. Além disso, aumentam a eficiência produtiva dos animais, como vacas em lactação que depositam grande quantidade de gordura em seus produtos (PALMQUIST; MATTOS, 2006).

Pensando em melhorar a condição metabólica das vacas, atenuando o balanço energético negativo, diversas estratégias nutricionais e de manejo são sugeridas a fim de proporcionar aos animais melhor status produtivo, reprodutivo e imune. Dentro dessa ótica, as gorduras têm grande destaque, pois melhoram o balanço energético e consequentemente podem apresentar efeitos nutracêuticos, capazes de modular positivamente a reprodução e imunidade das vacas leiteiras no período de transição e início de lactação, melhorando o desempenho produtivo dos animais.

A utilização de fontes de gorduras tem sido prática comum na alimentação de vacas em lactação, sendo que devemos ficar atendo aos teores de extrato etéreo, sendo conveniente respeitar o limite de 6% na matéria seca total da dieta. Estas fontes incluem: óleos, sementes de oleaginosas (in natura ou extrusadas), gordura hidrogenada, sebo, sebo parcialmente hidrogenado, sebo peletizado, e sais de cálcio de ácidos graxos. Essas fontes variam em características físicas e químicas, que afetam a sua digestibilidade, bem como os efeitos associados ao consumo de matéria seca (ALLEN, 2000).

As fontes mais comuns utilizadas em rebanhos leiteiros possuem variações no número de carbonos dos ácidos graxos, sendo de 16 a 18, além de variar também o grau de saturação e de esterificação. É preciso enfatizar que o fornecimento de sebo bovino está permanentemente proibido no Brasil, pela Instrução Normativa 08/2004 (BRASIL, 2004), em virtude do risco de transmissão da encefalite espongiforme bovina.

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Considerando os inúmeros benefícios desta suplementação para vacas em lactação, alguns fatores devem ser considerados essenciais para que se tenha sucesso com a inclusão deste ingrediente em dietas. Entre esses fatores, o período de adaptação se apresenta como o principal. De acordo com Grummer, Hatfield e Dentine (1990) e Staples, Thatcher e Mattos (2001), a adaptação e a aceitabilidade das fontes de gordura durante o período de suplementação são fatores determinantes para respostas positivas no desempenho produtivo dos animais, pois quando se avalia diferentes fontes nas dietas de vacas, respostas diferentes são esperadas e relacionadas ao tipo e nível de inclusão do suplemento. Segundo os mesmos autores, a redução na aceitabilidade das fontes pode – em parte – explicar a redução no consumo de matéria seca e baixa produção de leite. As diferenças na aceitabilidade de diferentes fontes de gordura podem ser minimizadas homogeinizando os suplementos aos demais ingredientes da dieta, no momento do fornecimento.

Os recentes avanços no metabolismo ruminal de gorduras estão focados principalmente na manipulação de eventos físico-químicos no rúmen, visando dois resultados práticos: 1) controle dos efeitos antimicrobianos dos ácidos graxos, quando estas fontes são adicionadas à dieta, sem alterações nos processos de fermentação ruminal e digestão e; 2) regulação da bio-hidrogenação microbiana, para o controle da absorção de ácidos graxos específicos, visando melhorar o desempenho produtivo, ou buscando efeitos nutracêuticos desejáveis em determinadas fases do ciclo produtivo. Várias propriedades dessas fontes determinam seus efeitos antimicrobianos no rúmen, incluindo: o tipo de grupo funcional, grau de insaturação, formação de sais de carboxilato e associações físicas dos lipídeos com as superfícies de partículas de alimentos e microrganismos. (JENKINS, 1992).

O metabolismo ruminal de lipídios pode ser resumido por dois principais processos: lipólise e bio-hidrogenação de ácidos graxos insaturados (JENKINS, 1992; JENKINS, 1993). O processo de lipólise consiste na quebra das ligações éster encontradas nos lipídios dos alimentos da dieta, seguida pela bio-hidrogenação de ácidos graxos insaturados, a qual reduz o número de duplas ligações de ácidos graxos insaturados (AGI) advindos das fontes lipídicas (JEKINS, 1993; BAUMAN; LOCK, 2006). A hidrólise é predominantemente realizada pelas bactérias ruminais, afetam grande proporção dos AGI, podendo ser influenciada por alguns fatores, como o nível de lipídeo na dieta, pH ruminal e a utilização de ionóforos, que podem inibir a atividade e crescimento de bactérias (DOREAU; CHILLIARD, 1997; HARFOOT; HAZLEWOOD, 1997).

O processo que pode ser considerado um mecanismo de autodefesa dos microorganismos ruminais é a bio-hidrogenação, que converte ácidos graxos insaturados em saturados, que são menos tóxicos à população microbiana ruminal. Os ácidos graxos reagem com íons de cálcio insolúveis que, portanto, se tornam atóxicos em nível de rúmen (PALMQUIST; MATTOS, 2006). Embora a bio-hidrogenação possa ser alta (acima de 90%), a intensidade a qual esse processo é realizado depende das características das fontes, tempo de retenção no rúmen e características da população microbiana (ALLEN, 2000).

Barletta e colaboradores (2016) avaliaram o efeito da inclusão de fontes de gordura (sais de cálcio de soja e linhaça) na alimentação de vacas durante o período de transição e início de lactação, e os autores concluíram que as fontes de gordura utilizadas melhoraram a capacidade de funcionamento do sistema imune e tiveram efeito positivo na reprodução, pois os animais ficaram menos tempo em balanço energético negativo e tiveram uma maior população folicular nos ovários.

As gorduras hidrogenadas também se apresentam como uma interessante alternativa para utilização em dietas de ruminantes, pois não têm potencial tóxico a microrganismos ruminais e apresentam maior quantidade de EE por grama de MS, visto que não tem em sua composição os sabões de cálcio.

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Resultados de estudos realizados nos EUA por Chilliard (1993) e Staples (2001), e no Brasil por Barletta (2015/2016) demonstram que existe um aumento da produção de leite que pode variar de 0,72 a 2,5 Kg de leite/vaca/dia, e esta resposta está relacionada a fonte utilizada, bem como a fase de lactação e adaptação dos animais.

Em uma meta-análise publicada por Rabiee e colaboradores no JDS, foi demonstrado que as fontes de gordura hidrogenadas não alteram o consumo de matéria seca, aumentam a produção de leite e teor de gordura no leite, quando comparadas com sais de cálcio de AG ou sebo. Isso demonstra que essas fontes não apresentam efeitos negativos no ambiente ruminal e apresentam grande potencial de utilização em dietas de ruminantes.

A gordura hidrogenada e os sais de cálcio de AG se apresentam como fontes seguras, sendo importante a adaptação dos animais bem como bom conhecimento da dieta utilizada, para que assim seja possível ter sucesso com a utilização de lipídes em dietas de vacas leiteiras. O objetivo é utilizar uma fonte que aumente o consumo de energia e tenha menor dissociação no rúmen, com o objetivo de melhorar a eficiência produtiva.

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Rafael Barletta

Rafael Barletta

Rafael Barletta é nutricionista de Bovinos Leiteiros na Agroceres Multimix.

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1 Comentário

  1. kika ker disse:

    Sempre importante passar informacoes pra produtores, principalmente pra nós pequenos produtores…continuem nos trazendo informaçoes. Obrigada!!!

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