Vamos falar de compostagem?

Compostagem

Nunca se falou tanto em sistema “Compost Barn” na pecuária leiteira brasileira como nos últimos dois anos. No entanto, por mais contraditório que seja, o processo de compostagem não acompanhou o mesmo ritmo. Em minhas visitas nas fazendas em todo o país, trabalhando como nutricionista de ruminantes, não é raro encontrar “Compost” em péssimas condições, como nas imagens abaixo. Por isso, hoje falaremos de compostagem.

Compostagem - Nutrição Animal - Agroceres Multimix

Figura 1: Cama extremamente compactada.

Compostagem - Nutrição Animal - Agroceres Multimix

Figura 2: Cama extremamente úmida.

A compostagem ocorre naturalmente no ambiente e é referida como a degradação de matéria orgânica. No sistema de produção em “Compost Barn”, ela é induzida através de um processo aeróbio controlado, realizado por intermédio de uma população diversificada de microrganismos.
Os materiais utilizados para a compostagem podem ser divididos em duas classes: a dos materiais ricos em carbono (C), em que podemos considerar os materiais lenhosos como a casca de árvores, as aparas de madeira, cascas de grãos, palhas e fenos; e a dos materiais ricos em nitrogênio (N), entre os quais incluem-se os dejetos animais (fezes e urina).
A relação C/N ideal para a compostagem é frequentemente considerada como 30 (relações entre 25 e 35 também são citadas para uma boa compostagem). Dois terços do C são liberados como CO2, que é utilizado pelos microrganismos para obter energia, e o outro terço do C em conjunto com o N é utilizado para constituir as células microbianas. Nota-se que o protoplasma microbiano tem uma relação C/N próxima de 10, mas para efetuar a síntese de 10C com 1N – e assim constituir o seu protoplasma – os microrganismos necessitam de aproximadamente 20C para obter energia. Por essa razão a relação C/N ideal é considerada 30.
As perdas de N podem ser muito elevadas durante o processo de compostagem dos materiais orgânicos, particularmente, quando faltam os materiais com elevadas concentrações de C. Para relações C/N inferiores, o N ficará em excesso e poderá ser perdido como amônia. Do contrário, com o aumento dos materiais ricos em C, o período de compostagem requerido aumenta.
O processo de compostagem é dividido em três fases: uma inicial e rápida de fitotoxicidade ou de composto cru ou imaturo, seguida da fase de bioestabilização, e por último a humificação, acompanhada da mineralização de determinados componentes da matéria orgânica.

Compostagem - Nutrição Animal - Agroceres Multimix

Figura 3: Fases da compostagem (Adaptado de D’Almeida & Vilhena, 2000).

Segundo Kiehl (1998), a maturidade do composto ocorre quando a decomposição microbiológica se completa e a matéria orgânica é transformada em húmus. Esse produto final da decomposição (húmus) é comumente utilizado para fins agrícolas.
No processo de compostagem, a energia produzida pelos microrganismos promove um incremento de temperatura. Os microrganismos termofílicos são responsáveis pela decomposição acelerada da matéria orgânica, em que as temperaturas ultrapassam 55°C. Este calor gerado forma vapor, ou seja, também contribui para a secagem da cama. Acima de 65°C, a maioria dos microrganismos serão eliminados, incluindo aqueles que são responsáveis pela decomposição, necessitando assim, controlar a temperatura com umidade e aeração, mantendo a níveis desejáveis.
A faixa de umidade considerada ótima para se obter um máximo de decomposição está entre 40 e 60%, principalmente durante a fase inicial, pois é necessário que exista um adequado suprimento de água para promover o crescimento dos organismos biológicos envolvidos no processo e para que as reações bioquímicas ocorram adequadamente durante a compostagem (MERKEL,1981). Quando a umidade é excessiva há aglutinação de partículas, restringindo a difusão de oxigênio. Esse fato reduz a temperatura no material, pois a velocidade de degradação da matéria orgânica diminuirá e condições anaeróbicas se instalarão na massa de compostagem, promovendo consequências indesejáveis. O teor de umidade elevado, além de tornar a operação de reviramento mais difícil, faz com que o material apresente temperaturas termófilas por um reduzido período de tempo, apresentando assim elevada contagem de patógenos não desejáveis, predispondo os animais a maiores riscos sanitários. Por outro lado, teores de umidade menores do que 40% inibem a atividade microbiológica, diminuindo a taxa de estabilização.
Na prática da compostagem, a aeração é o fator mais importante a ser considerado, sendo que quanto mais úmida estiver a cama, mais deficiente será sua oxigenação, requerendo portanto, providências para reduzir a umidade (reposição, ventilação, revolvimento, quebra de torrões, mudança em lotação, etc.).
É importante – como em qualquer outro sistema de criação de bovinos – conhecer a fundo cada detalhe, para que não surjam “surpresas” inesperadas que comprometam os objetivos da fazenda, que é a produção de leite seguindo caráter socioeconômico e sustentável. O sistema de “Compost Barn” vem – assim como o “Free Stall” – se tornando mais uma opção entre outras, com suas vantagens e desafios, e o primeiro passo na escolha deste sistema é o conhecimento do processo de compostagem.

Compostagem - Nutrição Animal - Agroceres Multimix

Figura 4: Sistema de “Compost Barn” com cama em perfeitas condições de compostagem e com excelência em conforto animal (100% dos animais deitados). Fonte: Fazenda Minas Gerais; Barbacena MG.

Agroceres Multimix. Muito Mais Que Nutrição

Carlos Giovani Pancoti

Carlos Giovani Pancoti

Carlos Giovani Pancoti é nutricionista de bovinos de leite da Agroceres Multimix

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2 Comentários

  1. Sou Eng.Agrônomo vejo uma grande oportunidade de contribuir com a trocas de experiências entre os colegas da área e de várias regiões e mais atenção o Nordeste por enfrentar adversidade climática.

  2. Gostei muito das explicações sobre compostagem. Excelente artigo técnico.

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