Controle e Tratamento da Salmonelose nas Granjas de Suínos

Tratamento da Salmonelose

  • Etimologia

A Salmonelose é uma enfermidade que vem crescendo nos últimos anos na produção suinícola. Ocasiona problemas entéricos, respiratórios, septicêmicos, além do prejuízo com a redução no desempenho, aumento na mortalidade e nos custos de medicação dos animais. A Salmonella atinge os suínos nas fases de creche, crescimento e início da terminação. Há também relatos de infecção urinária em fêmeas de reprodução. Dentre os sorotipos que podem ser encontrados nos suínos, o sorotipo Choleraesuis é um dos mais frequentemente isolados, ao lado do sorotipo Typhimurium e Enteritidis.

O sorotipo Choleraesuis causa a forma mais grave da doença, ultrapassa a barreira intestinal, pode alcançar tecidos linfoides secundários e desenvolver infecção sistêmica com alta morbidade e mortalidade em suínos. Os sinais clínicos incluem principalmente: febre, inapetência, letargia, tosse, dispneia, icterícia, relutância ao movimento e também diarreia. Os leitões recém desmamados são os mais susceptíveis à infecção por esse sorotipo, embora qualquer faixa etária possa ser acometida.

O sorotipo Typhimurium, na maioria dos casos, é restrito ao trato gastrointestinal e ocasiona enterocolite e diarreia. Esse sorotipo circula entre diferentes hospedeiros.

O sorotipo Enteritidis não está comumente associado a doença nos animais, porém, pode ser um agente contaminante de carcaças em abatedouros, sendo transmitido para o homem pelo consumo de carne contaminada.

Os sorotipos mais comumente envolvidos nos quadros clínicos de suínos são o Choleraesuis e o Typhimurium (Kich et al., 2017). O sorotipo Enteritidis é o mais predominante em ocorrência de surtos no homem (Shinohara et al., 2008).

Na Figura 1, pode ser observado o aumento do número de isolados de Salmonella nos últimos anos, com destaque para a Salmonella choleraesuis e Salmonella enteritidis. A ampla distribuição da Salmonella entre os animais, a existência de portadores assintomáticos e a sua permanência no ambiente e nos alimentos, contribuem para que esse microrganismo assuma um papel de grande relevância na saúde pública. Portanto, devem ser realizados programas permanentes de controle, com segurança na exposição de produtos ao mercado consumidor.

Salmonelose | Nutrição Animal - Agroceres Multimix

Figura 1. Isolamento de diferentes sorotipos de Salmonella no período de 2013 a 2016. Fonte: Adaptado de Laboratório Microvet, citado por Guedes et al., 2017.

 

  • Controle

O Controle da Salmonelose é um grande desafio na suinocultura. A Salmonella é capaz de sobreviver e de se multiplicar por longos períodos na presença de matéria orgânica e umidade. Alguns animais, uma vez infectados, podem permanecer portadores e numa situação de estresse (transporte, vacinação, misturas, infecções concomitantes e outras), passam a eliminar a Salmonella nas fezes, contaminando o ambiente e, assim, aumentando sua disseminação e favorecendo a reinfecção.

Para prevenir a introdução da Salmonelose e de outras doenças na granja, é importante praticar as Normas de biosseguridade, que são:

– Isolar a granja com cerca e barreira verde;

– Restringir a entrada de veículos, técnicos e visitantes;

– Lavar e desinfetar os caminhões;

– Estabelecer vazio sanitário de 72h para os visitantes;

– Cumprir as normas de banho, troca de roupa e calçados;

– Lavar, desinfetar e estabelecer vazio sanitário das instalações;

– Manter a higiene das instalações, equipamentos e animais durante todo o período produtivo;

– Controlar a qualidade da ração (boas práticas de fabricação);

– Fornecer água potável aos suínos;

– Receber animais de reposição provenientes de Granjas de Reprodutores Suídeos Certificados (GRSC) e providenciar quarentena antes da introdução na granja;

– Evitar a mistura de lotes de origens diferentes na creche e na terminação;

– Colocar os animais doentes em ‘baia hospital’ com boas condições;

– Controlar a entrada de pássaros e outros animais domésticos/silvestres;

– Controlar ratos, moscas e baratas.

Quanto às vacinas, existem resultados variados na literatura. Para ser realmente efetiva, a vacina deve evitar a infecção, prevenir a colonização, a excreção no ambiente, o desenvolvimento de portadores subclínicos e a contaminação de frigoríficos. Além disso, a vacina deve induzir anticorpos que possam ser diferenciados daqueles induzidos pela infecção natural.

  • Tratamento

O Tratamento é baseado na utilização de antibióticos e depende do diagnóstico correto e do isolamento do patógeno. Assim como acontece com todos os agentes infecciosos, os isolados de Salmonella apresentam perfis variáveis de sensibilidade e resistência, de acordo com os princípios ativos. Animais com sintomatologia clínica de Salmonelose, principalmente de casos septicêmicos, devem ser tratados – de preferência – no início do aparecimento dos sinais. Nesse caso, escolher medicamentos à base de substâncias que não tenham histórico de resistência, já que a frequência de isolados suínos de Salmonella spp. resistentes a antimicrobianos tem aumentado nos últimos anos. A Enrofloxacina, efetiva anteriormente contra isolados suínos de Salmonella, tem perdido a eficácia em alguns casos (HONG et al., 2016, citado por Guedes et.al., 2017). Entretanto, como observado na Figura 2, existem fluorquinolonas mais eficientes como a Norfloxaxina, que apresentou sensibilidade acima de 80% nos isolados de Salmonella.

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Figura 2. Resistência e Sensibilidade antimicrobiana de 112 isolados de Salmonella oriunda de casos clínicos brasileiros. Fonte: Adaptado de Kich, J.D et al., 2017.

 

Para o sucesso do tratamento, é importante considerar que todos os itens envolvidos no processo estejam corretos: diagnóstico do agente infeccioso, dosagem do antibiótico, início e duração do tratamento, mistura do antibiótico na ração e qualidade do medicamento veterinário.

  • Conclusão

O Tratamento da salmonelose deve-se basear na cultura e no antibiograma específicos, associados a medidas de biosseguridade. A prevenção e o controle são essenciais para evitar a disseminação da bactéria dentro do ciclo produtivo, visando melhorar a produtividade e a qualidade do produto final.

Agroceres Multimix. Muito Mais Que Nutrição.

Referências:

Guedes, R.M.C. et al. Infecção por Samonella choleraesuis: epidemiologia, sinais clínicos e patologia da doença. Anais do X SINSUI – Simpósio Internacional de Suinocultura. Porto Alegre, RS, p.153-166, 2017.

Hong S. et al. Serotypes and antimicrobial resistance in Salmonella enterica recovered from clinical samples from cattle and swine in Minnesota, 2006 to 2015. PLoS ONE 11(12): e0168016.

Kich, D.J. et al. Salmonelose clínica em suínos no Brasil – diagnóstico e controle. Anais do X SINSUI – Simpósio Internacional de Suinocultura. Porto Alegre, RS, p.145-152, 2017.

Shinohara, N.K.S et al. Salmonella spp., importante agente patogênico veiculado em alimentos Ciência & saúde coletiva, vol.13, n°.5, Rio de Janeiro Sept./Oct. p.1675-1683, 2008.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

Eliene Justino

Eliene Justino

Eliene Justino é nutricionista de suínos na Agroceres Multimix

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