Cuidados no transporte de suínos para o frigorífico: Como evitar perdas na reta final?

A eficiência produtiva e econômica na suinocultura depende de diversos fatores, como: nutrição, genética, instalações, manejo e gestão. Um ponto em comum entre todos esses fatores é a atuação dos técnicos e produtores na redução das perdas, sejam elas: baixo desempenho, mortalidade de animais e até mesmo eficiência em compras.

Durante o processo de produção do suíno – desde seu nascimento até o abate -, as perdas podem ocorrer dentro ou fora da granja. As atuações nos pontos críticos que proporcionam perdas, são determinantes na lucratividade da atividade. Dentre eles, o transporte de suínos da granja para o frigorifico, que pode acarretar grandes perdas econômicas para o suinocultor.

No manejo pré-abate, as perdas são muito significativas, sendo uma das etapas que proporciona maior estresse aos animais. O pré-abate vai deste o carregamento na granja, até a insensibilização no frigorifico, uma vez que antecede o abate.

As principais perdas na granja e no transporte estão relacionadas à mortalidade e perda de peso em carcaça. Já no frigorífico, um manejo inadequado dos animais pré-abate pode proporcionar carne suína PSE (pálida, mole e exsudativa) e DFD (escura, dura e seca), danos físicos/ferimentos e contaminação microbiana na carcaça, levando a perda de qualidade de carne, redução no bem-estar animal e até mesmo condenação da carcaça.

Para reduzir as perdas durante o pré-abate, os suínos devem ser tratados por pessoas bem treinadas, que devem respeitar recomendações básicas de manejo pré-abate. Dentre elas estão:

  • A seleção prévia dos animais que serão enviados ao frigorifico. Devemos evitar animais debilitados e com problemas se locomoção;
  • Após a seleção, é preciso realizar o jejum adequado nos animais. O ideal é de 8 a 12 horas antes do embarque, totalizando um total de 16 a 24 horas de jejum antes do abate;

  • Procure sempre realizar o carregamento e o transporte nas horas mais frescas do dia;
  • Devemos evitar agitação, barulho e agressividade na locomoção dos animais até o caminhão. Suínos mais calmos são mais fáceis de se mover do que agitados;
  • O ideal é sempre mover pequenos grupos de suínos, entre dois e três animais por vez;

  • Organizar um grupo de funcionários para retirar os animais das baias e outro para levá-los até o caminhão;

  • Impedir que os funcionários retornem no mesmo corredor que os animais estão se deslocando para evitar contra fluxo;
  • Não devem ser utilizados aparelhos de choques na movimentação dos animais. O ideal são: bastões, bandeiras, chocalhos e tábuas de manejo;
  • Os suínos tendem a se deslocar das áreas escuras para as claras, desde que a luz não ofusque sua visão ou incida sobre os seus olhos. Com isso, é preciso garantir que o caminhão esteja sempre bem iluminado, principalmente à noite.
  • Para a densidade de animais no caminhão, deve ser seguido as recomendações da Comissão Europeia, que é a densidade de 245kg/m2, ou seja, 0,425m2 por animal;
  • Sempre confira as condições do caminhão, como: pneus, carroceria e documentação. Temos que lembrar que esse é um ponto crítico na contaminação microbiológica da granja, com isso, é importante sempre realizar a limpeza e desinfecção do caminhão antes do carregamento dos animais;

  • Recomenda-se a aspersão de água nos animais após o embarque, quando as temperaturas estão acima de 10ºC.

Agroceres Multimix. Muito Mais que Nutrição.

Hebert Silveira

Hebert Silveira

Hebert Silveira é nutricionista de suínos na Agroceres Multimix

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