Estratégias nutricionais para redução do custo de produção do frango de corte

Tão longo quanto o título, é o caminho para redução dos custos de produção do frango de corte atualmente. Com a verticalização da avicultura, os executivos estão sempre em dúvida se o investimento em nutrição – buscando o melhor desempenho zootécnico – diminuirão seus custos, mais do que a visível e pontual “lei do mínimo custo”. Se formos analisar os diversos fatores que afetam os custos de produção, como: genética, logística, nutrição, manejo, sanidade e pessoas, a nutrição continua sendo o carro chefe, respondendo por mais de 65% dos custos de produção do frango vivo.  Com essa simples visão, uma redução de 1% no custo por tonelada da ração produzida em uma empresa que produz, por exemplo, 10.000 toneladas/mês de ração, representará uma redução em torno de R$55.000,00 por mês com os preços médios atuais dos insumos utilizados. Ao mesmo tempo, devemos analisar a redução de custos via investimento em densidade nutricional, buscando expressar o máximo potencial genético das aves. É cada vez mais comum encontrar lotes mistos de aves com fatores de produção superiores aos 400 pontos, com potencial de chegar aos 500 pontos, com conversão alimentar abaixo de 1,5 Kg e ganho de peso acima de 69 gramas/dia. Esses resultados seguramente atingem os melhores custos de produção e devem ser sempre analisados como estudo de caso dentro das empresas. Podemos citar algumas estratégias para redução de custos:

Redução de custos pela forma física e energia da ração

O uso de condicionadores duplos, expander, em conjunto com peletizadora, garantem o pelete integro no comedouro, com economia de energia das aves em torno de 20 Kcal/Kg de energia metabolizável aparente para cada 10% de pelete integro no comedouro (como pode ser visto na Figura 1). Peletizadoras atingem em torno de 30% a 50% de PDI (pelete integro) no comedouro. O uso de expander e peletizadora, em conjunto, resulta em 50% a 80% de PDI no comedouro com as dietas de milho e soja. Buscamos uma economia de até 180 Kcal/Kg com tecnologia aplicada a peletização, trazendo uma redução de até 120 gramas na conversão alimentar quando trabalhamos com PDI acima de 60% nos comedouros das aves.

Nutrição Animal - Agroceres Multimix

Figura 1: Mckinney e Teeter, OSU (2003).

– Redução de custos pelo gerenciamento dos riscos de micotoxinas

Toda empresa deve analisar e conhecer seu status de riscos para micotoxinas! Em cima dos dados levantados e da analise de riscos, deve-se tomar decisões de controle.

Toda empresa deve investir em estrutura física para segregação de matéria-prima! A primeira e mais simples analise é a densidade do milho, correlacionada com a quantidade de micotoxinas, como pode ser visto nos gráficos 1 e 2 abaixo:

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Gráfico 1                                                                                                   Gráfico 2

Nutricionalmente, podemos ver o grande efeito da perda de densidade do milho por ataque fungico na energia do milho em sua matriz nutricional (gráfico 3):

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Gráfico 3: Adaptado de Mallmann 2009.

Com esses dados em mãos, temos ferramentas indispensáveis para o controle de micotoxinas. Vale lembrar que:

  • O uso de pré-limpeza pode valorizar em até 50 Kcal/Kg a matriz nutricional do milho e diminuir em até 30% a contaminação por micotoxinas;
  • A utilização de mesa densimétrica pode valorizar em até 120 Kcal/Kg a matriz nutricional do milho e diminuir em até 80% a contaminação por micotoxinas nos grãos íntegros;
  • Novamente, silos para segregação de matéria-prima são indispensáveis, pois podemos separar a melhor matéria-prima para as fases mais importantes na nutrição, e valorizarmos de forma diferente as matrizes nutricionais para cada fase de produção;
  • Na recepção da matéria-prima, o “Kit Rápido” com teste Elisa (teste para detectar a quantidade de micotoxinas) é fundamental para montarmos o programa de uso racional de adsorventes e utiliza-los corretamente na dose/resposta necessária e, somente quando necessário.

 

– Redução de custos com o uso do NIR´s (Espectroscopia de refletância no infravermelho próximo) Equipamento indispensável para a nutrição de precisão, o NIR´s com suas curvas de calibração responde com resultados de analises quase que instantâneas e, com isso, é possível devolver matéria-prima fora do padrão, segregar a matéria-prima recebida por qualidade nutricional e assim, tirar o máximo de precisão na formulação dos ingredientes com baixa variabilidade dos lotes formados. O uso de segregação traz hoje uma economia média em torno de 3% na ração.

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Efeito da variabilidade na % PB da ração sobre o crescimento de frangos de corte (1 a 28 dias). a, b, c letras diferentes dentro da mesma coluna indicam diferenças estatisticamente significativas (p < 0.05). Fonte: Adaptado Feed Additives – Evonik – Duncan, M. S. (1988): Recent advances in animal nutrition,pp.1-11, Butterworths, London, UK.

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– Redução de custos com o uso de enzimas

A tecnologia hoje empregada nas fabricações de enzimas faz com que se tenha uma utilização segura de um aditivo como ingrediente gerando redução de custo alimentar. Nos dá a garantia de diminuição da variabilidade de ingredientes alternativos para Proteína, Carboidratos e Lipídeos. E a fitase hoje, mundialmente utilizada, ainda contribui com a liberação do fósforo fítico para a ave, diminuindo sua excreção e contribuindo assim, com a questão ambiental. Hoje economizamos de R$6,00 a R$15,00 no custo médio da tonelada de ração com o uso de enzimas nos preços atuais de milho, sorgo, soja, trigo e farinhas de origem animal. O uso de enzimas hoje traz uma economia média em torno de 2% na ração.

– Redução de custos com o uso de ingredientes alternativos

Devemos utilizar ingredientes alternativos para fugir da pressão mundial dos preços de milho e soja. Trata-se de um diferencial competitivo em relação as empresas que utilizam dietas baseadas em milho e soja. Com o uso de ingredientes alternativos, diminui-se o uso de milho e soja e, com isso, é possível fazer um ranking de qualidade dos melhores fornecedores e utilizar somente matéria-prima premium para formulação. O uso de ingredientes alternativos – na média – traz uma economia em torno de 5% na ração.

Para finalizar, voltando ao exemplo do início, sobre uma empresa que bate 10.000 toneladas de ração no mês, se reduzirmos 3% do custo médio da ração, conjugando algumas das estratégias aqui descritas, poderemos trazer uma economia de R$205.000,00 por mês, portanto, financiando qualquer investimento aqui apresentado.

Agroceres Multimix. Muito Mais que Nutrição.

Marcelo Torretta

Marcelo Torretta

Marcelo Torreta é Gerente Nacional de Aves

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