Fibra efetiva para vacas em lactação

Fibra Efetiva:

O consumo de fibra efetiva adequado é imprescindível para otimizar a produção e saúde das vacas em lactação. Se por um lado seu excesso limita o alcance de índices mais elevados de produção, por outro, se sua concentração mínima na dieta não for atendida – ou seu tamanho for inadequado -, podemos predispor o animal a distúrbios, como: acidose, queda na gordura do leite, deslocamento de abomaso, entre outros. Logo, a concentração ideal de fibra mantém a saúde ruminal e maximiza a produção leiteira.

Fibra não é um conceito fácil de ser definido, sendo conhecida como um componente estrutural das plantas, ou a fração menos digestível e que promove ruminação (Weiss 1993). Ela é definida hoje pelo método de seu isolamento, como FDN (Fibra em Detergente Neutro) e FDA (Fibra em Detergente Ácido). Já a fibra bruta (FB) – para nós que trabalhamos com ruminantes – é considerada uma análise obsoleta.

A formulação de dietas requer quantidade ótima de fibra efetiva, no tocante que o consumo de energia e o desempenho animal dependem dessa fração. A fibra efetiva deve ser fornecida em quantidade ideal para maximizar a fermentação e manter o pH do rumen adequado. O NRC 1989 faz suas recomendações de fibra baseado na percentagem de gordura no leite como variável. Os níveis mínimos para vacas em lactação estão na faixa de 19 – 21% de FDA e de 25 – 28% de FDN (%MS total consumida). Esse sistema possui certa deficiência em não considerar o tamanho de partícula, as diferentes fontes de fibra e de amido. O NRC 2001 fez alguns ajustes considerando as fontes de fibra não forrageiras, atualizando as recomendações para 17- 21% de FDA e de 25 – 33% de FDN. Porém, ainda não trouxe o conceito de tamanho de partícula.

O CNCPS (Cornell Net Carbohydrate and Protein System) passa a tratar o conceito de FDN alinhado à sua efetividade em estimular a ruminação e a motilidade ruminal. A FDNfe (fisicamente efetiva) é a fração da FDN que está retida na peneira acima de 1,18mm. Devido à complexidade e interações das variáveis que interferem a efetividade (comportamento alimentar, formação do “mat ruminal”, ruminação, salivação, características de fermentação, taxa de passagem, etc.), o termo não está estabelecido como rotina para adequação da fibra dietética até o momento, o que não diminui a sua importância.

Hoje, há modelos desenvolvidos que associam os efeitos da FDNfe e a fermentabilidade do amido ruminal que dão base apropriada para estimar a fibra dietética para as vacas de alta produção (Zebeli et al., 2012). Esses dados sugerem que um período de tempo maior do que 6h/dia, em pH ruminal abaixo de 5,8, deve ser evitado a fim de minimizar os efeitos da acidose. Para isso, uma quantidade mínima de 18,5% de FDNfe é necessária (Figura 1). Contudo, é indicado uma verificação de sua distribuição para não provocar queda no consumo de matéria seca. No entanto, o conceito de FDNfe não leva em conta as diferenças na fermentabilidade das dietas. Por isso a importância do técnico na verificação do melhor balanceamento.

Relação entre elevação da fibra detergente neutro fisicamente efetiva (FDNfe) - Fibra Efetiva

Figura 1. Relação entre elevação da fibra detergente neutro fisicamente efetiva (FDNfe) na dieta e pH ruminal. CMS = consumo de matéria seca.

Mensurando a efetividade: A metodologia se baseia no conceito de que: partículas longas (> 1,18 mm) requerem mastigação. O “Penn State Particle Separator” (PSPS) é um método de medir o comprimento de partícula dos volumosos ou da dieta total TMR (Total Mix Ration), muito popular. A efetividade de uma forragem ou TMR pode ser determinada utilizando o PSPS, que consiste em duas peneiras (crivos de 19 e 8 mm) e uma bandeja de coleta (Figura 2). A efetividade do alimento é a proporção total do alimento retido nas duas peneiras, e o que fica na bandeja não apresenta efetividade. Como exemplo, podemos destacar uma silagem de milho com 10,2% retido no crivo de 19 mm e 61,3% no de 8 mm, de modo que a efetividade é de 71,5% (10,2 + 61,3 = 71,5). Se essa silagem de milho contém 49,3% de NDF, portanto seu FDNfe é de 35,3% (49,3 x 0,715).

Peneira PSPS utilizada para mensuração da efetividade. Fibra Efetiva

Figura 2. Peneira PSPS utilizada para mensuração da efetividade.

Concluindo, as atuais recomendações de fibra podem e devem ser refinadas, para o ajuste do FDN e para a sua efetividade em manter a atividade de mastigação, pH ruminal, gordura no leite e, consequentemente, elevar a produtividade e longevidade das vacas.

Agroceres Multimix. Nutrição Animal.

Carlos Giovani Pancoti

Carlos Giovani Pancoti

Carlos Giovani Pancoti é nutricionista de bovinos de leite da Agroceres Multimix

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1 Comentário

  1. Oderman Oliveira Lima disse:

    Como sempre, ótimo artigo.Muito bem explicado.

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