Geração agPastto: Sequestro: uma questão estratégica

Geração agPastto: Sequestro

Dando sequência ao primeiro texto sobre transição seca-águas, um outro assunto que gera dúvidas e discussões nessa época do ano é o “sequestro” dos animais para o confinamento. Essa técnica vem sendo adotada em diversas regiões do país e tem se mostrado uma boa opção para essa fase crítica de transição, que invariavelmente acontece todos os anos.

Sabemos que nessa época do ano (transição seca-águas), muitas vezes, o gado perde peso e ficamos na dúvida sobre qual suplemento utilizar, além do fato de que, em alguns casos, as pastagens demoram para promover seu reestabelecimento, refletindo no desempenho dos animais.

Basicamente, a técnica do “sequestro” consiste em confinarmos os animais, sejam eles bezerros ou bezerras, por um período de tempo que varia de acordo com a necessidade de cada produtor, seja por seca severa, falta de pastos ou até mesmo pela boa oportunidade de compra de animais em um momento com baixa disponibilidade de capim na fazenda.

Para produtores que já possuem estrutura de confinamento, a técnica torna-se mais viável, além disso, ela também pode ser utilizada em forma de “piquetões”, que podem variar de 1 a 10 hectares. É importante atentar-se à disponibilidade de cochos, visto que os animais receberão a dieta 100% por ele. O recomendado é algo em torno de 20 a 30 cm lineares por cabeça, com pelo menos 2 tratos diários. Vale lembrar que a atenção com a água é a mesma dedicada a confinamentos de engorda: água limpa e com boa disponibilidade.

Em relação à dieta, ela deve ser formulada simulando um pasto de boa qualidade, com relação volumoso: concentrado na ordem de 85:15, com ganhos previstos em torno de 600 a 700 gramas/cab./dia. Para se obter bons resultados nessa técnica, um manejo de cocho consistente é necessário e, dependendo do volumoso utilizado, são necessários ajustes, pois cada alimento possui teores de nutrientes variáveis.

É de suma importância ter em mente o que faremos com esses animais depois que eles passarem pelo confinamento. Sabemos que, a partir do momento que a condição nutricional dos animais é elevada, precisamos ao menos manter essa condição na fase subsequente, para não haver perdas, situação popularmente conhecida como “não deixar o animal voltar”.

Além dos pontos relacionados ao animal, uma ótima opção para se trabalhar com o sequestro é utilizando-o de forma estratégica, para acelerar/facilitar a formação do pasto de águas, uma vez que, com o início das chuvas e retirada dos animais das áreas, aliviamos a pressão de pastejo, favorecendo o crescimento e acúmulo de forragem na área.

Sequestro - Agroceres Multimix Nutrição Animal

Nas primeiras chuvas ocorrem brotação dos pastos e os animais consomem rapidamente esses brotos, ocorrendo muitas vezes diarreia devido a alta taxa de passagem pelo trato gastrintestinal dessa forragem com alto teor de umidade. Além disso é comum no inicio da estação chuvosa a ocorrência de veranicos, que são períodos que podem se estender de 10 a 20 dias sem chuvas e atrapalhar o desempenho dos animais. Nesse sentido a estratégia do sequestro torna-se interessante pelo fato que damos uma “folga” para as pastagens retornarem à produção.

É importante salientar que devemos avaliar também os solos das fazendas, uma vez que solos mais arenosos sofrem mais com a ocorrência de veranicos pois não tem muita capacidade de reter a água e assim manter a umidade por mais tempo. Uma ação prática utilizada a campo para avaliarmos se a chuva já foi o suficiente para as pastagens crescerem é medir a pluviosidade nas áreas, para solos mais argilosos, com boa fertilidade, cerca de 50 mm já podem ser suficientes para ocorrer o rebrote, já em solos mais arenosos as vezes podem ser necessários mais de 80 a 100 mm de chuva. Sabe-se ainda que, capins do gênero Braquiaria tem rebrote mais lento quando comparado a capins do gênero Panicum (Mombaça, Tanzânia, Massai). Sendo assim, precisamos avaliar caso a caso para definir o tempo ideal de descanso para cada pastagem para retornar a boas produções.

Por fim, para estimular o nosso raciocínio, seguem dois cenários com animais em recria. O primeiro é um arrendamento para bezerros e o segundo, o “sequestro” de bezerros. Será utilizado preços médios obtidos a campo, porém cada região e fazenda possui sua realidade, sendo necessário estudo caso a caso.

Obs.: para áreas próprias também utilizamos o aluguel do pasto, para compararmos as situações.

  1. Áreas próprias ou arrendamentos:– Número de cabeças: 1.000 (bezerros 190 kgs);- Período: 120 dias (de junho a setembro);- Ganho médio diário: 250 grs/cab/dia;- Custos de aluguel, nutrição e mão de obra (mês) R$ 35,00 por cabeça;- Preço de venda: R$ 165,00 @ ou R$ 5,50 o quilo;

    – Resultados: ganho de peso no período: peso final: 220 kgs (30 quilos de peso vivo ou 1@ com 50% de rendimento de carcaça);

    – Custos no período (4 meses): R$ 140,00 por cabeça;

    – Margem líquida: R$ 165,00 (venda de 1@) – R$140,00 (custos) =

    R$ 25,00 por cab. X 1000 bezerros = R$ 25.000,00 no período.

     

     

  2. “Sequestro” ou “Recria no confinamento”:

    – Número de cabeças: 1000 (bezerros 190 kgs);- Período: 120 dias (de junho a setembro);- Ganho médio diário: 650 grs/cab./dia;- Custos com dieta e operacional (mês): R$ 75,00 por cabeça;- Preço de venda: R$ 165,00 @ ou R$ 5,50 o quilo;

    – Resultados: ganho de peso no período: peso final: 268 kgs (78 quilos de peso vivo ou 2,6@ com 50% de rendimento de carcaça);

    – Custos no período (4 meses): R$ 300,00 por cabeça;

    – Margem líquida: R$ 429,00 (venda de 2,6@) – R$300,00(custos) =

    R$ 129,00 por cab. X 1000 bezerros =  R$ 129.000,00 no período.

Pela simulação, temos uma boa margem com a utilização da técnica, mas salientamos que cada caso deve ser avaliado particularmente, focando nos sistemas de produção de maneira integrada, ou seja, existem diversas tecnologias à disposição para utilizarmos e atingirmos as metas desejadas.

Lembre-se:

Um bom planejamento é o início do caminho que o levará ao resultado.

Agroceres Multimix. Nutrição Animal.

Fabio Miquilin

Fabio Miquilin

Fábio Miquilin é Consultor de Serviços Técnicos de bovinos de corte na Agroceres Multimix.

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