Geração Confinatto: Lucro no confinamento – “Os números dentro e fora da porteira”

Para alcançarmos bom resultado técnico e financeiro no confinamento precisamos ter boa gestão da atividade e conhecer os indicadores envolvidos no negócio. Mais importante que isso, é saber analisar os resultados obtidos, ou seja: se estamos ganhando ou perdendo nesse “jogo complexo dos números”.

A cada ano, as margens da pecuária de corte estão se estreitando e levando pecuaristas a desistirem ou migrarem para opções mais rentáveis. Na maioria dos casos, a baixa produtividade e pouca gestão do negócio levam o pecuarista a sair da atividade. A pecuária – como qualquer outro negócio – exige cada vez mais conhecimento, planejamento, gestão financeira e técnica, sendo o sucesso da atividade dependente da ação conjunta desses fatores.

Como referenciado no título deste texto, podemos assumir que o lucro é definido por vários fatores dentro e fora da porteira, os quais precisamos conhecer e gerir.

Nesse sentido, conhecer os indicadores “dentro” da fazenda – GMD (Ganho Médio Diário), custo da @ produzida, eficiência biológica, entre outros – obtidos de forma correta e criteriosa, permite inferir se os números são bons ou não, e se estão dentro daquilo que foi planejado.

Por outro lado, existe um importante fator “fora” da porteira: a comercialização. Saber a hora certa de comprar os insumos a serem utilizados, fazer a reposição no momento certo e ter uma boa estratégia de venda do animal acabado, são fatores que fazem total diferença na operação.

Em 2016, compilamos os resultados de 12 fazendas no estado do Mato Grosso, que somaram mais de 116 mil cabeças confinadas (machos inteiros, 90% Nelore). A partir de alguns resultados macros, pudemos calcular mais de  20 indicadores, como por exemplo: dias de cocho, custo da @ produzida, ganho médio diário, ganho médio em carcaça, eficiência biológica, lucro líquido por cabeça, entre outros, o que permitiu fazermos uma avaliação geral da  atividade e comparação entre diferentes fazendas.

No contexto geral, mesmo diante de todas as dificuldades enfrentadas no ano passado, como a crise econômica e a alta nos preços dos insumos básicos para a engorda (milho e soja), boa parte das propriedades avaliadas conseguiram obter resultado satisfatório na operação. Um ponto comum a ser destacado em todas as fazendas que apresentaram lucro foi o bom planejamento prévio.

Nutrição Animal - Agroceres Multimix

De forma curiosa, pudemos averiguar que nem sempre os melhores resultados de desempenho – ganho de peso diário – levaram aos melhores resultados econômicos. Na maioria das vezes, a combinação dos diferentes fatores da atividade levou ao resultado desejado. Por exemplo, em nossa análise, a fazenda com maior rentabilidade atingiu 3,94% ao mês, sendo a média geral alcançada de 1,97% ao mês. Quando avaliamos os resultados do GMD nessa fazenda (mais rentável), vemos que o GMD foi da ordem de 1,520 kg/dia, enquanto houveram fazendas em que os animais tiveram GMD da ordem de 1,803 kg/dia. Isso não significa que o GMD não seja importante, porém, em nossa análise, ficou claro que a combinação de uma dieta bem balanceada, com manejo de cocho consistente, boa genética, sanidade, bom custo por quilo de ração, compra e venda do animal, são fatores determinantes e que levam a resultados superiores à média obtida.

Um ponto que está sendo muito abordado por nutricionistas é o GANHO MÉDIO DIÁRIO EM CARCAÇA. Esse indicador nos mostra a eficiência da atividade como um todo, além disso, o pecuarista é remunerado pelo frigorífico de acordo com os quilos de carcaça que o animal abatido produz, ou seja, a carcaça é a moeda de troca entre produtores e frigoríficos.

Trabalhando os números levantados em 2016, checamos que o ponto de equilíbrio da operação se deu com um ganho em carcaça na ordem de 0,808 kg/dia, para pagar a diária do animal confinado. Pensando nisso, simulamos nas tabelas a seguir – de forma dinâmica – o ganho em carcaça que o animal precisaria ter para empatar a conta (Tabela 1), ou o lucro por cabeça no confinamento (Tabela 2), em função de diferentes preços de venda da arroba e diferentes custos de dieta. Para os cálculos, considerou-se um animal com 465kg, custo operacional de R$ 1,00 por cab./dia, consumo de 2,35% do peso vivo, ganho médio diário de 1,500 e rendimento do ganho de 65%.

Nutrição Animal - Agroceres Multimix

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Cabe ressaltar aqui que é importante saber distinguir quando o animal está “empatando” a conta dentro do confinamento e a hora certa que ele deve ser enviado para o abate.

Algumas vezes nos deparamos com produtores expressando o seguinte raciocínio: “Vou esperar subir R$ 1,00 na arroba para abater esse lote”. O que ele não percebe é que, quando o animal está pronto, ele torna-se ineficiente em produção de carcaça, e nessa hora ele está apenas “gastando” (dieta e operacional) e não está mais “se pagando” na fazenda, ou seja, o R$1,00 a mais por arroba não compensará seu o custo diário.

Por isso, devemos conhecer e acompanhar cada propriedade, analisando caso a caso. Uma análise do “tipo” dos animais que compões o lote, a expectativa dos dias de cocho e o acompanhamento da curva de consumo, são fatores que auxiliam na tomada de decisão sobre o momento ideal para o abate dos animais, e evidenciam se no final haverá lucro para a fazenda.

Para o ano de 2017, a expectativa é que tenhamos uma safra recorde de milho e soja, com isso, conseguiremos melhorar os benefícios/custos das dietas e, consequentemente, produzir uma arroba mais barata em relação a 2016. Sabemos que cada fazenda tem uma realidade regional e cada uma deve ser analisada de maneira particular.

Lembre-se!

Conhecer os números porteira a dentro é o primeiro passo de uma série de etapas que compõe um bom processo de gestão. Levantar os números para as tomadas de decisão e não utiliza-los no dia a dia é perda de tempo e dinheiro.

Agroceres Multimix. Muito Mais que Nutrição.

Fabio Miquilin

Fabio Miquilin

Fábio Miquilin é Consultor de Serviços Técnicos de bovinos de corte na Agroceres Multimix.

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3 Comentários

  1. Muito interessante, uma abordagem sóbria e atual da gestão econômica, é isso que temos pesquisado, através da simulação se torna mais fácil visualizar os cenários possíveis. Outra alternativa é o caminho inverso da simulação, a otimização, e esta é o tema da minha tese, a qual espero que gere resultados logo. Um abraço.

  2. Edmo Carvalho Junior Edmo Carvalho Junior disse:

    Olá Fábio, parabéns pelo artigo.
    Além do indicador GMD (Ganho Médio Diário), que outros indicadores operacionais deveremos considerar para acompanhamento da eficiência?

    • Fabio Miquilin Fabio Miquilin disse:

      Obrigado, Edmo!

      Dentre os indicadores técnicos mais utilizados no confinamento, além do GMD, estão: a eficiência biológica (quilos de matéria seca necessários para produção de uma arroba), GMD em carcaça, custo de @ produzida (ligada à eficiência de compra de insumos e manejo no confinamento), além de indicadores diários que estão ligados à fabricação das dietas, como por exemplo: desvios de carregamento de insumos no vagão, curvas de consumo de matéria seca por lotes e acurácia na leitura de cocho.
      Espero ter respondido sua pergunta.

      Abraço!

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