A importância do vazio sanitário e higienização em galpões de frango de corte

No contexto econômico, a avicultura de corte é uma das atividades mais importantes do agronegócio brasileiro. Conforme o relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal de 2016, o Brasil é o segundo maior produtor de carne de frango (superado apenas pelos EUA), atingindo o patamar de 13,1 milhões de toneladas/ano e, além disso, é o maior exportador de carne de frango (32,7% da produção é exportada).

Um fator de grande importância, que auxilia o país a se destacar perante o mundo são os programas de biosseguridade. O Brasil possui uma condição sanitária confortável em relação a outros países produtores de frangos de corte, e essa condição sanitária é incumbência, em grande parte, de programas rigorosos implantados pelo setor avícola.

Um programa eficiente é composto por um conjunto de medidas e procedimentos de atenção à saúde do plantel, aplicados em todas as etapas de criação, interagindo com os diversos setores que compõe o sistema produtivo. (JAENISCH et al., 2004). Poderíamos dizer que, na prática, um bom programa de biosseguridade deveria, primeiramente, evitar a possibilidade de entrada de agentes infecciosos em áreas de produção avícola industrial e, em segundo plano, manter procedimentos de boas práticas de biosseguridade para evitar a disseminação de doenças e/ou mantê-las sob controle.

Dentre as práticas de manejo, a higienização das instalações e equipamentos – que compreende a limpeza e desinfecção -, associadas ao vazio sanitário, é indispensável para o sucesso na cadeia de produção avícola. A garantia de um ambiente limpo minimiza os riscos de infecções e a quebra do ciclo de vida de agentes patogênicos. Geralmente, o procedimento de limpeza é dividido em duas etapas: a limpeza seca, através de varreduras; e a limpeza úmida, com água sob pressão contendo produtos detergentes, o objetivo é eliminar a matéria orgânica presente no ambiente produtivo. A etapa de desinfecção consiste na aplicação de soluções desinfetantes nas superfícies, a fim de eliminar a maior quantidade possível de microrganismos patogênicos.

Ao analisar os processos de limpeza em granjas avícolas, vários processos que envolvem a higiene estão presentes, como: higiene pessoal, do ambiente, dos reservatórios de água, equipamentos, instalações e utensílios. Estima-se que 90% dos patógenos presentes são retirados das superfícies na limpeza seca, e é nesse procedimento que se objetiva retirar o máximo possível de matéria orgânica. (PETERSON et al., 2008).

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A limpeza seca deve começar imediatamente após a retirada das aves, removendo a cama velha, ou tratando a cama a ser reutilizada, através de procedimentos químicos, como aplicação de cal virgem; ou tratamento biológico, através da fermentação. Segundo Kuana (2009), todas as instalações, incluindo piso, paredes, telas, tetos, cortinas e passeios devem ser varridas, com o objetivo de remover o excesso de sujidades, como: poeira, penas e resto de cama e ração. Lança-chamas também são utilizados com o objetivo de eliminar o máximo de matéria orgânica dentro dos galpões.

A limpeza úmida é constituída de quatro etapas: lavagem com água, lavagem com detergentes, enxague e secagem das superfícies (COLDEBELLA, 2004). Na primeira etapa, recomenda-se a utilização da água sob pressão para facilitar a retirada da sujidade, sempre no sentido de cima para baixo, visando evitar a contaminação da área limpa. Na segunda etapa, a lavagem é realizada com detergentes, intentando separar os resíduos das superfícies com maior facilidade, pois os resíduos orgânicos podem inativar a ação dos desinfetantes ou servir de proteção aos microrganismos contra a ação dos mesmos. Os tipos de detergentes mais utilizados nessa etapa são os alcalinos e neutros, com ou sem associações. Deve-se buscar produtos que produzam espuma densa e consistente, que permite um maior contato entre os resíduos e o detergente. Na terceira etapa é realizado o enxague, com o objetivo de retirar todo o resíduo que sobrou da limpeza seca e, posteriormente, a secagem de maneira forçada ou natural.

Após a limpeza, a próxima pratica de manejo é a desinfecção do ambiente e equipamentos, com o objetivo de eliminar o maior número possível de microrganismos. Como já mencionado, é usual a utilização de lança-chamas na produção avícola, classificado como desinfetante físico que destrói os microrganismos pelo calor. Outra categoria de desinfetantes são os químicos, presença maciça no dia-dia da avicultura. É importante ressaltar que a eficácia do desinfetante químico depende de vários fatores, como: a diluição do produto, tempo de exposição, temperatura (altas temperaturas aceleram o processo de desinfecção), presença de matéria orgânica e sensibilidade dos microrganismos a serem combatidos. Portanto, a escolha pelo desinfetante recairá sobre aquele que cumprir com maior número de requisitos conforme a finalidade desejada.

Dentre os desinfetantes químicos mais utilizados em avicultura estão aqueles à base de compostos fenólicos e derivados, alcalinos, aldeídos, halogênico e seus derivados, biguanida, surfactantes catiônicos e agentes oxidantes. Seus respectivos exemplos são: a creolina, cal virgem, glutaraldeido, cloro, clorexidina, amônia quaternária, ácido peracético.

A limpeza e desinfecção de instalações, equipamentos, utensílios e reservatórios, aliados a um bom vazio sanitário, finaliza com sucesso o procedimento de higienização. Segundo Jaenisch, et. al. (2004), descrevem vazio sanitário como o período em que as instalações permanecem vazias após o procedimento de limpeza e desinfecção, permitindo assim a destruição de certos organismos não atingidos pela desinfecção, que se tornam sensíveis à ação de agentes físicos naturais, como o aumento de temperatura, ventilação e incidência de sol. De acordo com Kuana (2009), deve-se considerar um período mínimo de 15 dias até o próximo alojamento, porém, na prática, esse período varia entre 7 a 10 dias.

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De acordo com Burbarelli (2012), o desempenho produtivo de frangos de corte, submetidos ao tratamento em que os galpões e equipamentos passaram pelo procedimento de limpeza e desinfecção recomendados, foi significativo em todos os índices zootécnicos analisados (peso vivo, ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar, viabilidade e o índice de eficiência produtiva). Além disso, reduziu-se a carga microbiológica presente no ambiente, em relação ao tratamento que passou por um procedimento de limpeza seca e úmida apenas com água.

O vazio sanitário, a limpeza e a desinfecção realizados de forma correta e eficiente são apenas uma parte de um bom programa de biosseguridade. Portanto, ações conjuntas de manejo, nutrição, genética, ambiência e sanidade são substanciais para se obter sucesso na produção avícola, agregando valor ao produto final e garantindo aos consumidores produtos seguro e confiável.

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Figura 1: Fluxograma do procedimento de higienização das instalações avícolas.

 

Agroceres Multimix. Muito Mais que Nutrição.

Octávio Filho

Octávio Filho

Octávio Gomes da Cunha Filho é Consultor Técnico Comercial de Aves na Agroceres Multimix.

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