Ingredientes alternativos na alimentação de poedeiras comerciais

Nos últimos anos, a avicultura de postura tem evoluído muito e, como segmento importante na produção de alimento humano de alto valor biológico, tem se adequado às técnicas que possibilitam a melhoria da eficiência de produção (RODRIGUES et al., 2005). Sendo assim, a nutrição de poedeiras comerciais é caracterizada como uma importante ferramenta para garantir os elevados níveis de produção atingidos pelas linhagens comerciais modernas, porém, é necessário constante monitoramento dos constituintes e sobre a qualidade da ração fornecida às aves (STRINGHINI et al., 2005).

A indústria de rações avícolas utiliza em suas formulações uma grande quantidade de matéria-prima vegetal – cerca de 80% dos componentes. Esses ingredientes são usados como fontes de energia e proteína, e são essenciais nas dietas das poedeiras, pois influenciam diretamente no desempenho das aves. No Brasil, o milho e o farelo de soja são os ingredientes mais usados como fonte energética e proteica nas dietas de aves, e o aumento constante nos preços desses grãos tem levado a um crescente interesse por alimentos alternativos que possam ser utilizados nas dietas, sem prejuízo no desempenho desses animais (TAVERNARI et a., 2008).

No atual contexto, pesquisas vêm sendo desenvolvidas com o uso de alimentação alternativa, visando sanar dúvidas sobre o real potencial do alimento alternativo na produção animal. A crescente procura do milho para a alimentação humana e produção de Etanol, bem como os constantes aumentos da soja e seus derivados, dão maior evidência aos substitutos ditos alternativos.

Toda troca de ingredientes comumente utilizados por outros de oferta sazonal deve ser realizada levando-se em consideração uma série de fatores, visando a segurança alimentar e a manutenção do desempenho dos animais. Bellaver & Ludke (2004) descreveram que sempre que se avalia a oportunidade de uso de um ingrediente alternativo, alguns pontos devem ser observados, tais como:

  1.  Disponibilidade comercial;
  2.  Quantidade de nutrientes e energia;
  3.  Qualidade dos nutrientes;
  4.  Características físicas do ingrediente.


  • Ingredientes energéticos:

Sorgo

Nutrição Animal - Agroceres Multimix

Vantagens:      O sorgo possui maiores níveis de histidina, isoleucina, leucina, fenilalanina, serina e valina, em relação ao milho.

Desvantagens: O fator limitante é a presença de substâncias antinutricionais, em especial o tanino, que provoca um efeito negativo sobre a digestão intestinal. Além disso, devido a menor quantidade de pigmentos (carotenos e xantofilas), ocorre redução da coloração da gema do ovo, exigindo a adição de pigmentantes artificiais ou naturais à ração.

Milheto

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Vantagens:      Possui teores de proteína superiores aos níveis encontrados no milho, maior concentração de aminoácidos (ADEOLA & ORBAM, 1995), o que permite a formulação de dietas com menor nível de aminoácidos sintéticos, reduzindo os custos com a ração (MURAKAMI et al., 2009) não possui fatores antinutricionais, resistente a fungos (BANDYOPADHYAY et al., 2007).

Desvantagens: Como o sorgo, o milheto também possui baixos índices de carotenoides, exigindo adição de pigmentantes naturais ou artificiais na ração. Possui também boa disponibilidade em certas épocas do ano.

Mandioca

Vantagens:      A farinha integral possui alta concentração de amido (65 a 75%), baixo em amilose, tornando-a de fácil digestão.

Desvantagens: Devido a presença de glicosídeos cianogênicos, conhecidos como Linamarina e Lotaustralina, que sob ação de ácidos e enzimas sofrem hidrólise liberando acetona (açúcar e ácido cianídrico), inibem a cadeia respiratória dos seres vivos.


  • Ingredientes proteicos:

Farelo de girassol

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Vantagens:      Apresenta elevado teor de metionina, cálcio e fósforo, quando comparado ao farelo de soja, tornando-se um ingrediente importante como substituto proteico nas formulações.

Desvantagens: O girassol contém um composto polifenólico conhecido como ácido clorogênico que, embora não tenha sido observado efeitos prejudiciais, sabe-se que esse ácido pode inibir algumas enzimas, tais como a tripsina e lipase.

Farelo de canola

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Vantagens:      O farelo de canola apresenta maior teor de aminoácidos sulfurados, fibra bruta, cálcio, fósforo total em relação ao farelo de soja.

Desvantagens: Pode apresentar atividade goitrogênica, resultando em aumento de peso da tireóide e se for utilizado a níveis acima de 8 a 10% pode afetar o desempenho das aves. Também contém sinapina (1,0 a 1,5%), que parece não ter uma ação desfavorável para a maioria das aves, exceto poedeiras de ovos marrons que podem produzir ovos com odor de peixe.

Farinha de sangue

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Vantagens:      Do ponto de vista do teor de aminoácidos, trata-se de uma farinha rica em lisina, triptofano, fenilalanina e treonina, sendo limitada em isoleucina, se comparada ao farelo de soja.

Desvantagens: A inclusão desse subproduto dependerá principalmente de seu preço, pois, apresenta baixa palatabilidade e restrição por problemas de contaminação microbiológica.

Amendoim

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Vantagens:      O farelo de amendoim contém elevado teor proteico, se comparado ao farelo de soja.

Desvantagens: O ponto mais negativo do uso de farelo de amendoim na alimentação animal é a infestação pós-colheita pelos fungos: Aspegillus flavus e Aspegillus parasitus, que produzem o princípio tóxico Aflatoxina.

Mamona

Vantagens:      O farelo de mamona tem grande potencial para ser utilizado em rações animais – substituindo fontes proteicas como o farelo de soja -, desde que as limitações relacionadas à sua toxidez e alergenicidade sejam superadas.

Desvantagens: Os princípios tóxicos encontrados na mamona são: a ricina, ricinina e um fator alergênico (CBA).

CONSIDERAÇÕES:

Todo o conhecimento sobre os alimentos convencionais utilizados na nutrição de monogástricos, juntamente com a possibilidade de substituí-los por alimentos alternativos (em relação à composição nutricional, disponibilidade comercial, oportunidade versus preços), ressaltam a importância em relação à continuidade de estudos na área de nutrição animal, para comprovar que é possível utilizar estes subprodutos, sem prejuízos ao desempenho zootécnico das aves.

Agroceres Multimix. Muito Mais que Nutrição.

Rafael Marques

Rafael Marques

Rafael Marques é Consultor Técnico Comercial de aves de postura na Agroceres Multimix

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