LactAção: Laminite em Vacas Leiteiras

Laminite em Vacas Leiteiras

No texto anterior da nossa coluna LactAção, discutimos sobre as principais afecções podais que podem acometer as vacas leiteiras, seu aspecto patológico, incidência e importância. Vimos como as lesões afetam diferentemente novilhas e vacas, e o quanto prejudicam a produção. Vale lembrar que: 27% dos animais descartados na propriedade são decorrentes de lesões nos cascos. Hoje vamos falar sobre a laminite.

A laminite é um distúrbio que prejudica a circulação nos tecidos dérmicos, ocasionando anormalidade na manutenção e/ou crescimento deste tecido. Como consequência, ocorre isquemia e degeneração, levando a um aumento das lesões por concussão nesse local. Devemos a ela grande atenção, pelo fato de ser comum sua ocorrência (mais de 60% das lesões são associadas a ela). Sua etiologia é multifatorial, envolvendo fatores inerentes à patogenicidade, ao animal (estágio de lactação e parição, casqueamento, etc.), sobretudo de origem nutricional (desbalanço nutricional, carência de zinco, biotina, etc.) e fatores ambientais (piso irregular, pedregulho, umidade, sujidades, barro, cama inadequada, etc.).

Laminite - Nutrição Animal Agroceres Multimix

Figura 1: Interação entre animal, patogenia e ambiente, na determinação do status de saúde individual ou do grupo.

Pode ser classificada das seguintes formas:

Aguda ou sub-aguda: Não comum, geralmente é associada a um único evento, como a sobrecarga de grãos consumidos. Desenvolve-se rapidamente, provocando dor aguda, mas não produz lesões visíveis no casco. Os animais ficam incomodados e ocorre intensa hiperemia na pele da região coronária.

Laminite crônica: Se desenvolve a partir de eventos contínuos e/ou repetitivos, que causam lesões e afetam a forma e funções dos cascos, decorrentes de alterações metabólicas e degeneração laminar. Essa é a forma mais crítica no sistema de produção.

Os vasos sanguíneos fornecem nutrientes e oxigênio para os tecidos do casco. Quando o fluxo é interrompido, esse tecido é produzido com qualidade inferior, predispondo o animal às injúrias.

Durante o processo de fermentação ruminal, são produzidos ácidos que colaboram na redução do pH do rúmen. A acidose ocorre quando a produção desses ácidos excede a capacidade de absorção/utilização/tamponamento dos ácidos. Quando se tem evolução crônica e persistente desse episódio, a consequência é a Laminite, pois, devido à morte microbiana, há liberação de toxinas e outras substâncias vasoativas que prejudicam a microcirculação podal. Na medida que evolui essa falha circulatória, a Linha Branca se “desloca”, elevando a pressão sobre a Sola. A compressão prolongada da Sola, acarreta mais danos capilares, hemorragias, coagulação sanguínea, inflamação e morte de tecido. As lesões geralmente são focais, muito dolorosas e podem causar claudicação. Várias semanas podem se passar após o início da laminite, até que os sinais clínicos e lesões tornem-se visíveis. Essa é uma das razões pelas quais, historicamente, as muitas lesões foram consideradas doenças separadas.

As vacas leiteiras consomem grandes quantidades de alimento concentrado. Não há nada de errado quanto a esse fato, pois o objetivo é a máxima produção, dentro dos limites impostos pela genética do animal, além dos alimentos disponíveis, tipo de instalação e, principalmente, do manejo utilizado. Se a proposta da fazenda é produzir grandes quantidades de leite por animal, ela deve ter em mente estratégias adequadas para evitar quadros de acidose ruminal, como: volumoso de excelente qualidade, diferentes fontes/processamentos de carboidratos na dieta em que se diversifica o perfil de fermentação, fibra fisicamente efetiva em quantidade suficiente ao desafio, uso de TMR (dieta total), frequência constante no fornecimento de alimento, uso de tamponantes e aditivos que modulam o pH, máximo conforto, dentre outras estratégias.

É comum os animais acometidos apresentarem anorexia e permanecerem grande parte do tempo deitados (indo ao cocho com menor frequência, o que contribui ainda mais com a acidose). Quando em estação, se mostram em postura e locomoção anormais, com o dorso arqueado e com claudicação.

Vale salientar que o melhor mecanismo de controle é a prevenção. Estratégias nutricionais realizadas por profissional competente, monitoramento constante do manejo nutricional, utilização do escore de locomoção, avaliação dos parâmetros de conforto animal, casqueamento preventivo e pedilúvio, são imprescindíveis, visto que permanece a forma de Laminite Subclínica, a qual possui evolução lenta, logo, insidiosa.

Laminite - Nutrição Animal Agroceres Multimix

Figura 2: Hiperemia de pele na região coronária, concomitante com diarreia.

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Figura 3: Hiperemia da pele na região dos cascos.

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Figura 4: Vaca com laminite crônica. Dorso arqueado, hiperemia na região coronária do casco e crescimento irregular dos cascos. Fonte: Nicoletti (2004).

Referências Bibliográficas.

ICAR Claw Health Atlas. http://www.icar.org/documents/icar_claw_health_atlas.pdf.

Nicoletti, J.L.M. Manual de Podologia Bovina. Barueri SP; Editora Manole; 126p. 2004.

University of British Columbia. Dairy Education and Research Centre, Animal Welfare Program. 2004.

Agroceres Multimix. Nutrição Animal.

Carlos Giovani Pancoti

Carlos Giovani Pancoti

Carlos Giovani Pancoti é nutricionista de bovinos de leite da Agroceres Multimix

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