LactAção – Vitamina E: essencial para vacas em lactação

A importância da vitamina para vacas em lactação.

Vitaminas são compostos orgânicos essenciais à saúde e ao metabolismo dos animais, mas que não podem ser sintetizados por eles, logo, são obtidas através da alimentação. Os volumosos, que correspondem a maior fração da dieta total das vacas em lactação, não suprem totalmente as necessidades nutricionais dos animais, principalmente os estocados (silagem e feno), que devido aos processos envolvidos, podem ter perdas de até 90% das vitaminas. Portanto, a formulação de concentrados com vitaminas devem ser utilizados em todas as situações, adequando-se às necessidades de cada categoria animal específica.

Vacas em Lactação | Agroceres Multimix - Nutrição Animal

As vitaminas são classificadas em duas classes: aquelas solúveis em solução aquosa, ou hidrossolúveis (vitaminas C e as do complexo B), e aquelas solúveis em solventes orgânicos, ou lipossolúveis (vitaminas A, D, E e K). A vitamina E é um nome genérico para uma série de compostos lipossolúveis chamados tocoferóis e tocotrienóis. A forma mais biologicamente ativa de vitamina E é o α-tocoferol. Os alimentos concentrados, com exceção do grão de soja e do caroço de algodão, não são boas fontes de vitamina E. Nas forragens, sua concentração diminui rapidamente após a planta ser cortada. Além disso, a exposição prolongada ao oxigênio e à luz solar exacerbam a perda de atividade da vitamina E.

A vitamina E – no animal – atua principalmente como um antioxidante biológico. Em associação com o selênio, age na enzima glutationa peroxidase, que protege as células contra os danos oxidativos causados pelos radicais livres. Os radicais livres são formados durante o metabolismo celular e são capazes de danificar as membranas celulares, enzimas e seu DNA. A vitamina E também desempenha um papel importante no desenvolvimento e função do sistema imunológico e reprodutivo.

Nos últimos anos, tem-se dado grande importância à vitamina E, principalmente no período de transição, devido os benefícios resultantes da prevenção de retenção de placenta, promovendo menor propensão a doenças e melhoria na qualidade do colostro.

No entanto, vale ressaltar sua importância durante o período de lactação, pois com o avanço no melhoramento genético e em técnicas reprodutivas, é possível aumentar as médias de produção e, como consequência, induzimos os animais a um grande estresse, elevando assim suas necessidades nutricionais. No início da lactação, as vacas podem apresentar doenças metabólicas e infecciosas (como a mastite) devido a abruptas mudanças fisiológicas que acarretam supressão da resposta imune, queda na ingestão de matéria seca e diminuição dos estoques de vitamina E. Assim, há a preocupação em fornecer aos animais não apenas a quantidade necessária para a produção, mas também de passarmos a suplementar visando melhorias em saúde, que consequentemente acarretará em maior produção.

Quando um patógeno invade a glândula mamária, ocorre uma cascata de eventos. Os neutrófilos do sangue são atraídos para o local da infecção, com a função de tentar destruir o patógeno. Isso produz uma alta concentração de radicais livres que – se não forem controlados – provocam danos severos às células e ao sistema imune.

Vacas em Lactação | Agroceres Multimix - Nutrição Animal

O selênio e a vitamina E são antioxidantes importantes na defesa de células e tecidos, e atuam diretamente na manutenção da saúde do úbere. Moyo et al. (2005) realizaram uma compilação de dados (meta análise) e encontraram uma redução de 14% no risco de infecção mamária e 30% de redução na mastite clínica com a suplementação de vitamina E em vacas em lactação.

Um estudo Italiano (Baldi et al., 2000) descobriu que as vacas leiteiras suplementadas com vitamina E, de duas semanas antes até uma semana após o parto, apresentaram contagem de células somáticas significativamente menor. Eles também relataram menos serviços por concepção. Em relação às exigências nutricionais de vitamina E, a recomendação de especialistas (Weiss 2013), para vacas em lactação, é de 500UI vitamina E/dia.

Vale destacar que, para um melhor resultado, é imprescindível o acompanhamento de um técnico que, de acordo com sistema de produção e manejo adotados, poderá fazer a melhor recomendação do nutriente, frente ao desafio enfrentado.

Agroceres Multimix | Nutrição Animal

Carlos Giovani Pancoti

Carlos Giovani Pancoti

Carlos Giovani Pancoti é nutricionista de bovinos de leite da Agroceres Multimix

VOCÊ TAMBÉM PODE CURTIR...

3 Comentários

  1. Marcio Morais disse:

    Boa noite Carlos!
    Muito interessante a matéria publicada por você!
    Entendo que, os produtores brasileiros estão precisando ler um artigo como esse.
    Aqui na minha região, muitos produtores tem reclamado a respeito de mastite, no rebanho. Sem contar outros problemas relacionados com os animais.

    Marcio Morais.
    Aluno do curso Técnico em Agronegócio – SENAR.
    Carangola-MG.

  2. Lucas Aflísio Reis Da Silva disse:

    Boa tarde, Gustavo tem algum estudo relatando o uso de vitamina E melhorando as taxas de prenhez em transferência de embriões.

    • Olá, Lucas!

      Com o uso correto da suplementação da vitamina E em vacas leiteiras, temos as seguintes respostas em relação à reprodução:
      A vitamina E apresenta efeitos comprovadamente benéficos sobre a redução na incidência de retenção de placenta (em mais de 50%), metrite (em mais de 28%) e ovários císticos (em mais de 59%).
      Outros estudos revelam diminuição dos dias para o primeiro cio, devido a sua capacidade antioxidante e de elevação do estradiol plasmático.
      Os dias em aberto geralmente são reduzidos em média de 30 dias.
      Há trabalhos que mostram melhoria na taxa de concepção ao segundo serviço (melhoria de 25%) e redução do número de serviços/concepção (melhoria de 15%).
      Alguns estudos apontam melhoria na taxa de sobrevida embrionária devido à competição sobre prostaglandinas, melhorando assim a chance de ir a termo o embrião.

      Espero ter lhe ajudado.
      Abraço!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


+ 4 = 6