Pontos críticos para redução do uso de antibióticos na produção de suínos

Uso de antibióticos na produção de suínos

Cada vez mais recebemos notícias de granjas que estão focando na produção de suínos sem o uso de antibióticos via ração. Atualmente, mais de 47 países já possuem restrições a antibióticos promotores de crescimento e a algumas moléculas específicas. O Brasil possui um grande potencial para a produção animal e vem ampliando, a cada ano, a sua participação no mercado internacional. Com isso, a antecipação do desenvolvimento e utilização de um programa estratégico de redução no uso de antibióticos pode contribuir para nosso destaque no mercado internacional e nacional, frente as demais proteínas.

Os antibióticos sempre foram utilizados com a finalidade de tratamento, controle e prevenção de doenças, além de serem também utilizados como promotores de crescimento. Entretanto, com a grande preocupação dos consumidores sobre o uso de antibióticos na produção animal, os tratamentos individuais de animais doentes têm se tornado a prática mais comum nas granjas que visam a redução dos antibióticos via ração.

 Mesmo com o tratamento individual de animais, é necessário minimizar os desafios sanitários nos sistemas sem a utilização de antibióticos via ração, uma vez que, sem esse cuidado o tratamento individual pode se tornar mais oneroso e menos eficiente. Com isso, vamos apresentar os principais cuidados necessários para garantir resultados produtivos em granjas sem a utilização de antibióticos via ração.

Nutrição dos animais

Com a redução ou remoção dos antibióticos para os suínos via ração, a primeira linha de defesa se torna a nutrição. O uso de ingredientes com alta digestibilidade, qualidade nutricional e livres de contaminantes, e o uso de aditivos com foco na saúde intestinal, digestibilidade e imunidade dos animais é fundamental para manter a granja sustentável e rentável no futuro.

Como já sabemos, um dos principais pontos críticos na saúde dos animais na granja é o desmame. Assim, a transição do leite materno para a ração seca precisa ocorrer da forma menos estressante possível, aumentando a quantidade de ração consumida pelo leitão, proporcionando uma adaptação mais rápida, mantendo a saúde intestinal, já que neste intervalo ocorre a redução dos anticorpos maternos e o início da formação da imunidade ativa. Para isso, as dietas para leitões devem garantir alto consumo na primeira semana pós-desmame (acima de 150 gramas por dia), além de serem preparadas para melhorar a saúde intestinal, de modo a reduzir que patógenos no lúmen intestinal se tornem infecciosos.

Outros meios de melhorar a saúde do plantel é a utilização de ingredientes que, adicionados às dietas das matrizes, melhoram a saúde intestinal e diminuem a transmissão de patógenos na granja.

Temos que ter em mente que a nutrição pode interferir muito na quantidade de medicamentos utilizado na granja, de modo que uma nutrição de melhor qualidade, com foco na saúde intestinal e melhoria do sistema imune dos animais, pode proporcionar menores gastos com medicamentos. Entretanto, essa é uma variável pouco avaliada nos sistemas de produção.

Idade de desmame e saúde intestinal

Quando avaliamos a morfologia intestinal após o desmame, a idade de desmame dos leitões influencia na permeabilidade intestinal. Smith et al. (2010) observaram que: à medida que a idade de desmame aumenta, a permeabilidade da barreira intestinal é reduzida, deixando os animais mais resistentes a desafios intestinais. Leitões desmamados precocemente possuem maior permeabilidade intestinal, resultando em maior translocação luminal de bactérias, toxinas e antígenos aos tecidos subepiteliais, levando a uma ativação inflamatória sistêmica da mucosa intestinal, causando diversos problemas, como diarreia.

Desta forma, ao se trabalhar com a redução no uso de antibióticos, os leitões devem ser levados a uma idade média de desmame de 24 dias, o que refletirá em menor mortalidade na fase de creche e melhor ganho de peso nas fases de recria e terminação, como demonstrado por Main et al. (2004).

Biosseguridade

Biosseguridade pode ser definida como: processos utilizados para reduzir o risco de introdução de agentes patogênicos (vírus, bactérias, fungos e parasitas) no sistema de produção de suínos, além do controle e a diminuição os agentes já presentes na granja. O sucesso e a falha na redução e/ou retirada dos antibióticos nas granjas estão diretamente relacionados com a prevenção da entrada de novos patógenos ou novas cepas na granja, e no controle dos agentes presentes no sistema de produção, reduzindo a pressão de infecção dentro da granja.

Em muitos sistemas já contaminados por doenças respiratórias, observamos grandes falhas na aplicação de medidas de biosseguridade, muitas vezes por negligência. Entretanto, o controle é fundamental para que se atinja a redução no uso de antibióticos dentro da granja. Atualmente, temos grande risco devido a presença da PRRS em países vizinhos ao Brasil, e não podemos ficar esperando pela adoção e fiscalização dos processos de biosseguridade em granjas.

Com isso, listaremos alguns pontos importantes que precisam ser aplicados nas granjas:

  1. Isolamento da granja com a utilização de barreiras vegetais e arcos de desinfecção;
  2. Utilização de banho para funcionários e visitantes, com delimitação de área suja e limpa;
  3. Restrição do acesso de pessoas à granja, antes de transcorrer um período mínimo de 24 horas após visitas a outros rebanhos suínos;
  4. Utilização de fumigador para entradas de objetos na granja;
  5. Vazio sanitário das instalações;
  6. Utilização de quarentena;
  7. Controle da qualidade das matérias-primas utilizadas na formulação das rações;
  8. Controle da qualidade da água fornecida aos animais;
  9. Limpeza constante e desinfecção frequente das instalações;
  10. Limpeza constante e desinfecção frequente dos equipamentos utilizados na granja.

    A utilização de desinfetantes em botas e outros materiais utilizados na granja é fundamental para o controle e prevenção da disseminação interna de microrganismo. Como podemos observar nas fotos de plaqueamento de botas em uma granja comercial (Figura 1), a falta de higienização ou a limpeza feita apenas com água poderia proporcionar a disseminação de microrganismos pelas botas. Entretanto, com a utilização de desinfetante, a contagem de colônias bacterianas na placa foi zero.

 

Figura 1: Plaqueamento de swab de botas: sem limpeza, limpeza apenas com água e limpeza com desinfetantes:

Uso de antibióticos - Agroceres Multimix Nutrição Animal

Fonte: Fotos cedidas pelo Prof. Dr. Jeroen Dewulf, DVM, MSc, PhD, Dipl. ECVPH. President of the European college Veterinary Public Health, Ghent University.

 

11. Resguardar os animais, evitando ao máximo a mistura nas baias;

Como podemos observar na figura 2, quanto maior a mistura de animais entre baias e/ou fases de produção, maior a disseminação de doenças dentro do rebanho. A mistura de animais que estão contaminados aumenta a contaminação em até 70%, dificultando o controle e, consequentemente, maior gasto com medicamentos na granja.

Figura 2: Dinâmica de disseminação de doenças com a mistura de animais nas transferências entre fases de produção.

Uso de antibióticos - Agroceres Multimix Nutrição Animal

Uso de antibióticos - Agroceres Multimix Nutrição Animal

Fonte: Adaptado da apresentação cedida pelo Prof. Dr. Jeroen Dewulf, DVM, MSc, PhD, Dipl. ECVPH. President of the European college Veterinary Public Health, Ghent University.

12. Utilização do sistema “todos dentro, todos fora”;

13. Controle de vetores de doenças como: insetos, roedores e outros animais;

14. Destino adequado para animais mortos e dejetos;

15. Controle no carregamento de animais para abate (alto risco de contaminação), evitando que pessoas estranhas acessem a granja para realizar o carregamento.

16. Limpeza correta de caminhões de transporte de animais e de ração;

17. Acompanhamento veterinário para avaliação de riscos internos e externos à granja;

18. Correto protocolo de vacinação.

Vacinação

A colaboração do veterinário para criar um correto programa de vacinação é fundamental para atender a necessidade de imunização do rebanho. Além disso, a atuação do veterinário é fundamental para elaboração de medidas de eliminação e controle de doenças presentes na granja. Para a redução no uso de antibióticos, o veterinário deve acompanhar de perto todo o processo de redução de antibióticos, para evitar que os animais sofram com a redução no uso de antibióticos, mantendo os resultados e rentabilidade do produtor.

Considerações finais

Dentre todos os aspectos comentados anteriormente, o ponto mais importante para redução do uso de antibióticos na produção de suínos, é o comportamento adequado de todos os envolvidos na granja. Para se ter sucesso, é necessário ter bem claro todos os procedimentos da granja, treinando, auditando os procedimentos e garantindo a execução e educação contínua da equipe. Pois qualquer falha nutricional, de manejo, biosseguridade e vacinal, pode levar a sérios problemas no plantel.

Esteja sempre um passo à frente e garanta maior lucratividade dos sistemas de produção.

Agroceres Multimix. Nutrição Animal.

Hebert Silveira

Hebert Silveira

Hebert Silveira é nutricionista de suínos na Agroceres Multimix

VOCÊ TAMBÉM PODE CURTIR...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *