A importância do controle de roedores em granjas avícolas, incubatórios e fábricas de rações

Os ratos são espécies que apresentam uma excepcional capacidade de adaptação, suportando as mais adversas condições de vida. Existem mais de 2.000 espécies de roedores na natureza, porém, apenas três apresentam relação com o homem. Os ratos são responsáveis por grandes perdas na produção de alimentos, desde a lavoura até a armazenagem, através da destruição direta dos mesmos ou pela contaminação por fezes e urina. Podem ainda ser responsáveis por danificar máquinas, equipamentos, tubulações, fiações elétricas, etc., causando prejuízo e acidentes. Além do prejuízo econômico, os ratos são responsáveis, ainda, pela transmissão de várias doenças, como: leptospirose, peste, tifo murino, salmoneloses, febre da mordedura, triquinelose, etc. Para um controle eficaz de roedores é necessário identificar corretamente a espécie e conhecer suas características e hábitos.

Roedores no geral, são portadores documentados de Salmonella spp. e, portanto, apresentam uma séria preocupação para a saúde pública. Uma revisão de Meerburg et al. (2007) mostrou taxas de infecção em populações de roedores que vão de 0 a 77%.

Um lote inteiro de aves ou incubatório podem ser contaminados pela presença de um único roedor infectado, o que representa um risco para o resto da cadeia alimentar. Além do perigo de infecção, os roedores causam danos aos edifícios, linhas elétricas e tubulações de água, afetando assim a produção e a lucratividade. Por essas razões, um programa eficaz de controle de roedores é fundamental.

O controle de roedores começa com o conhecimento do inimigo. Os ratos são animais inteligentes e sociais, que vivem em colônias com várias centenas de indivíduos. Esses roedores têm uma forte tendência a cavar, especialmente no solo ou sob coberturas seguras, tais como pilhas de pedras ou lixo – e preferem se mover durante a noite. Eles têm um alcance de mais de 100 metros – e se reproduzem rapidamente. Uma fêmea saudável pode produzir facilmente cinco ninhadas por ano, entre 8 e 10 filhotes em cada ninhada, com filhotes atingindo a maturidade sexual entre 8 e 12 semanas. Um terço das fêmeas de uma população pode estar grávida de uma só vez. E por causa de sua agilidade e capacidade de se espremer através de pequenas aberturas, é muito difícil mantê-los fora das granjas, fábricas de ração e incubatórios..

O alcance dos camundongos é muito menor (5 metros) do que o dos ratos. No entanto, como os camundongos atingem a maturidade sexual 42 dias após o nascimento, a população cresce muito mais rápido do que a dos ratos. Por serem tão pequenos, muitos são facilmente transportados – despercebidamente – em caixas de ovos, por exemplo. Eles podem entrar em um edifício através de aberturas tão pequenas quanto 6 mm.

A infestação de roedores pode rapidamente tomar posse, mesmo que nem um animal seja visto, porque seus hábitos noturnos tendem a mantê-los longe dos olhos humanos. Se um único rato for visto durante o dia, é porque já existe uma infestação significativa.

Principais espécies de ratos

Ratazana (Rattus norvegicus) – Também conhecida como rato de esgoto, gabiru, entre outros. Possui o corpo robusto, orelhas relativamente pequenas, fezes em forma de cápsulas com extremidade rombuda. Habita tocas e galerias no solo, próximas de córregos, lixões, interior de edificações. É hábil nadador e escavador. Seu raio de ação é de cerca de 50 metros em volta das tocas, locais em que deixam trilhas com manchas de gordura, fezes e pêlos. São onívoros, mas preferem grãos, carnes e frutas. Apresentam desconfiança à mudança no ambiente, preferindo locais pouco movimentados.

Rato do telhado (Rattus rattus) –  É conhecido como rato preto, de paiol ou de navio. Apresenta corpo esguio e cauda longa, orelhas sem pêlo, grandes e proeminentes. Habita forros, sótãos, paióis, silos, podendo ainda viver em árvores. É comum no interior de domicílios. É hábil escalador e raramente escava tocas. Seu raio de ação é em torno de 60 metros. Deixa manchas de gordura, pêlos e fezes por onde costuma passar. Como alimentação, prefere: legumes, frutas e grãos e, como a ratazana, apresenta grande desconfiança a mudanças no ambiente.

Camundongo (Mus musculos) –  Conhecido como catita, rato de gaveta, muricha, etc. De corpo pequeno e esguio, apresenta orelhas grandes e proeminentes em relação ao corpo. Habita o interior dos móveis, despensas e armários, é hábil escalador, podendo cavar tocas e seu raio de ação é em torno de 3 a 5 metros. É onívoro, preferindo grãos e sementes. Diferente das outras duas espécies, o camundongo é extremamente curioso, possuindo hábitos exploratórios.

Avaliação do grau da infestação

Devido ao habito noturno dos roedores e suas características peculiares, torna-se impreciso mensurar o número exato de roedores em uma instalação, por isso uma avaliação no local tem grande importância, visando definir a espécie predominante e o nível de infestação.

A avaliação do nível e tipo de infestação baseia-se nos seguintes fatores:

  • A identificação da espécie de roedores presentes na instalação;
  • O mapeamento dos pontos críticos nas instalações;
  • A estimativa do nível de infestação.

A identificação das espécies de roedores deve ser feita com base nas características descritas acima. Caso não seja possível visualizar os roedores, os tamanhos das capsulas das fezes são um bom indicativo. As capsulas de fezes possuem o comprimento de 2,0 cm para as ratazanas, 1,3 cm para o rato do telhado e 0.6 cm para os camundongos.

O mapeamento dos pontos críticos nas instalações faz-se necessários para definir um programa eficaz no controle de roedores, visando ser efetivo ao conduzir os recursos de forma correta. Quanto a estimativa do nível de infestação, pode-se utilizar dois procedimentos práticos, como: constatação de indicadores da presença de roedores e captura de roedores.

Avaliação da infestação: O exame no local, pode dar uma estimativa do nível de infestação.

INDICADORES

BAIXA

MÉDIA

ALTA

Trilhas

Ausentes

Algumas

Várias

Manchas de gordura por atrito corporal

Ausentes

Pouco perceptível

Evidências em vários locais

Roeduras

Ausentes

Algumas

Visíveis em vários locais

Fezes

Algumas

Vários locais

Numerosas e frescas

Tocas ou ninhos

1 a 3 / 300 m² área externa

4 a 10 / 300 m² área externa

+ de 10 / 300 m² área externa

Ratos vistos

Não constatados

Alguns em ambientes escuros

Alguns em ambientes escuros e alguns a luz do dia

Captura de roedores

Outro método de avaliar a infestação de roedores consiste em distribuir 100 armadilhas com iscas em um determinado local a ser avaliado. Coloca-se as armadilhas limpas e secas com as iscas às 22 horas de um dia, recolhendo-as às 5 horas do dia seguinte. Deve-se repetir esse procedimento por 3 dias. Ao final do período, avalia-se o número de roedores capturados e determina-se o grau de infestação, conforme descrito abaixo:

  • Baixa infestação: 01 a 05 roedores capturados;
  • Média infestação: 06 a 15 roedores capturados;
  • Alta infestação: 16 a 29 roedores capturados;
  • Altíssima infestação: acima de 30 roedores capturados.

Controle integrado de roedores

Para controlar os roedores é necessário muita atenção e conhecimento dos hábitos de cada espécie e, principalmente, dos sinais de sua presença nas instalações. É comum nas granjas e incubatórios, especialmente no caso de operações maiores, colocar a responsabilidade do controle de roedores nas mãos de uma empresa especializada em controle de pragas.

Um programa de controle de roedores eficaz envolve três áreas de atividade:

  • Prevenção – não atrair os roedores, manter ambientes limpos e sem entulhos;
  • Monitoramento – procurar sinais que indiquem a presença de roedores (não vê-los não significa que não estejam lá!) e identificar a espécie;
  • Controle – determinar estrategicamente os pontos de colocação das iscas e a quantidade de produtos a serem colocados, utilizar rodenticidas para eliminar as pragas e impedir que as populações cresçam.

A desratização é uma medida física aplicada à eliminação de roedores, podendo ser por métodos mecânicos, biológicos e químicos. Devido à maior segurança e eficácia, o método químico é o mais utilizado.

Os porta iscas podem ser do tipo caixas especificas, como a figura abaixo e/ou canos de PVC de 100mm com 50cm de comprimento. Os roedores têm hábitos de se alimentarem e demarcarem alimentos e territórios através da urina e fezes, por isso os porta iscas devem estar limpos e as iscas devem estar suspensas, não devem entrar em contato com a base do porta-iscas, pois onde as iscas não ficam suspensas, há disposição de excrementos sobre elas, o que reduz a sua atratividade.

As iscas raticidas devem ser dispostas nos pontos de maior circulação de roedores, como canto de paredes e entrada de tocas, onde existe presença de fezes, gordura corporal e roeduras. As iscas não devem estar muito distantes entre si, não podendo ultrapassar a distância de 25 metro entre as iscas. O adensamento fica a cargo do grau de infestação do estabelecimento.

As iscas também devem ser colocadas nas cercas perimetrais das granjas, incubatório e fábricas, bem como nas demais instalações de apoio, como exemplo: almoxarifado, depósito, composteira, barreira sanitária e etc., respeitando a distância máxima de 25 metros. As caixas porta iscas devem ser numeradas, exigindo a realização do controle via planilha a cada 7, 14 ou 21dias ou conforme a infestação e consumo dos produtos utilizados. Mesmo que não haja consumo durante a avaliação em um período superior a 28 dias, é recomendado a substituição de todas as iscas, pois podem – em virtude de umidade ou outros fatores – não ser mais atrativas ao roedores.

 

Recomendações gerais:

  1. Mantenha a área ao redor dos alojamentos das aves e do incubatório sempre limpa e arrumada. Evite arbustos decorativos ao redor das edificações e corte a grama regularmente;
  2. Não atraia roedores com fontes de alimentos, tais como a ração das galinhas, resíduos do incubatório e sobras da cantina;
  3. Faça os alojamentos à prova de roedores: cubra as aberturas da ventilação com telas de arame e garanta a ausência de fendas ou aberturas nas portas;
  4. Procure sinais de roedores em intervalos semanais, tais como: caminhos, manchas, excrementos, odor de urina, mordidas, pegadas, fendas e buracos e consumo das iscas colocadas.
  5. Elimine os roedores com rodenticidas eficientes, misturados com uma isca que os atraia de forma eficaz;
  6. Coloque iscas suficientes em pontos cuidadosamente escolhidos, onde os roedores passam ou têm acesso regular;
  7. Monitore o consumo e adicione ou atualize o rodenticida conforme necessário, para evitar a resistência ou ineficiência da isca. Com os preferidos ‘venenos que matam lentamente’, os roedores devem ingerir o veneno diariamente durante vários dias;
  8. Mude o rodenticida em intervalos regulares para evitar a resistência e ineficiência das iscas;
  9. Considere o uso de uma empresa especializada para realizar o programa de controle de roedores. Um programa de controle eficaz exige conhecimento, experiência e consistência.

Nutrição Animal – Agroceres Multimix

Everson Ferreira

Everson Ferreira

Everson Xavier Ferreira é Consultor Técnico Comercial de aves na Agroceres Multimix.

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