Por Dentro do Cocho: Capulho de algodão

Capulho de algodão

Com o adensamento energético das dietas no confinamento, um ponto que ganha atenção especial é o nível de fibra efetiva da dieta, visando a manutenção da saúde ruminal. Sobre esta ótica, a escolha da fonte de volumoso deve ser repensada, ponderando os efeitos nutricionais desejados, e seu real papel na formulação. Dietas mais adensadas demandarão muito mais efetividade do volumoso do que propriamente valor nutricional e digestibilidade, abrindo assim oportunidade para o uso de resíduos fibrosos como opção de volumoso, como é o caso do capulho de algodão.

O capulho é fruto do algodoeiro (maçãs – quando verdes) aberto e seco, sendo resíduo da produção de fibra do algodão, obtido a partir do processo de beneficiamento para extração do algodão no momento do descaroçamento (Buainain et al., 2007).

Em locais onde há produção de algodão, esse subproduto pode ser adquirido por um excelente custo/benefício, no qual, com exceção de regiões vizinhas a beneficiadoras, a maior variável de impacto no preço será o frete. Além do preço, outro limitante de uso seria a disponibilidade, uma vez que, a maior oferta de capulho ocorre durante os meses de colheita e beneficiamento do algodão. Normalmente, essa data coincide com o período de maior necessidade de volumoso (período da seca), com maior concentração no início de agosto, o que pode dificultar a sua aquisição prévia.

Temos no capulho de algodão uma alternativa interessante de ser trabalhada na dieta como fonte de fibra fisicamente efetiva, podendo ser utilizado em dietas de bovinos confinados, bem como em animais suplementados a pasto, quando há baixa disponibilidade de forragem.

Como todos os subprodutos, o valor nutritivo pode ser variável, dependendo do processo de descaroçamento, componentes restantes e etc. (Tabela 1). Na média, temos que, o capulho é um volumoso seco, com aproximadamente 93% de MS, 7 a 12% de PB e 55 a 65% de FDN. Visto seu teor de MS, provavelmente se faça necessário a inclusão de água em dietas de confinamento quando este for utilizado como única fonte de volumoso. Vale lembrar que, quando utilizado a pasto, de forma exclusiva ou acrescentada a rações ou suplementações, não há necessidade de inclusão de água.

Tabela 1. Análises laboratoriais de capulho de algodão utilizados na alimentação de ruminantes.

%

%

Matéria seca

92,5

93

Matéria mineral

15,6

6,92

PB

11,3

7,07

EE

1,5

1,14

FDN

56,9

61,7

FDA

41,1

NDT

53

45,4

José Neto, 2012

Laboratório da Agroceres

O alto valor de FDN, baixo EE e NDT caracterizam o ingrediente realmente como volumoso, além de apresentar proteína similar a volumosos de média qualidade. Na prática, a utilização do capulho de algodão já está bem consolidado, sendo obtidos ótimos resultados em confinamentos como única fonte de volumoso, garantindo a segurança alimentar devido a alta quantidade de FDN fisicamente efetiva.

Capulho de algodão

Outro contexto em que o capulho tem sido bastante empregado é a recria no cocho (ou sequestro), permitindo aos produtores buscar a intensificação do sistema, com a possibilidade de uma produção de uma arroba de menor custo durante a recria no período da seca.

Por fim, independente da estratégia definida, o capulho de algodão se destaca pelo seu baixo custo da MS, justificando o aumento da procura e interesse por esse subproduto da agroindústria.

Nota: cabe ao produtor – acompanhado de seu técnico – definir qual a melhor estratégia ou formulação a ser utilizada, visando explorar da melhor forma possível o capulho de algodão, reduzindo assim o custo da @ produzida e melhorando as margens do sistema produtivo.

Agroceres Multimix – Nutrição Animal

Renan Miorin

Renan Miorin

Renan Miorin é Consultor de Serviços Técnicos de bovinos de corte na Agroceres Multimix.

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